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246 dias

246 dias

Aquele momento assustador em que você percebe que vive longe de casa há mais de 8 meses.

Como relatei em um post anterior, embarquei em Confins com destino a Londres no dia 3 de setembro do ano passado com a mente agitada por sonhos e incertezas do que esse tempo seria pra mim. Desde então, passaram-se 246 dias, duzentos e quarenta e seis dias incrivelmente intensos. É surpreendente como o tempo pode passar tão rápido e ao mesmo tempo condensar uma quantidade enorme de experiências e emoções que normalmente caberia em um espaço de tempo muito maior.

Desde que cheguei, foram dias de muita expectativa e muita novidade, dias de madrugar, pegar um avião e encarar o mundo sozinho e dias de ver a vida com um brilho novo. Depois, vieram dias de saudade e dias de perceber que está sozinho e sentir o aperto da distância. Mas houve, também, dias de fazer novas amizades, conhecer outras culturas, comer outras comidas e falar outras línguas. Dias de estar com a galera e dias de me encontrar sozinho com Deus e entender o valor da sua presença. Dias demais de brincar de cozinheiro, de faxineiro e de dono de casa. Dias de aulas inspiradoras e palestras incríveis, dias de aulas insuportáveis e muitos, muitos dias de incontáveis e intermináveis trabalhos. Houve dias de preguiça, dias sem graça e dias de não fazer nada. Dias de comprar coisas legais e dias de frear os desejos e economizar, e dias de sentir muito frio e dias de acostumar com ele. Dias de querer voltar logo e dias de querer ficar aqui pra sempre. Vieram dias de dúvida e de me perguntar se estava no lugar certo mas, também, dias de certeza e de confiar no plano de Deus.

São dias diferentes, de contrastes e de cores. São dias pequenos e sem nexo, como peças de um mosaico que tem, de tudo, um pouco. Se me afasto o suficiente, vejo o mosaico incompleto e, do que de perto era caos e desordem, já consigo reconhecer as formas daquilo que aprendi e experimentei e daquilo que mudei. Nem tudo ainda é claro e definido, mas quando o Artista trabalha, a beleza e harmonia saltam aos olhos mesmo com a obra incompleta. Nele eu confio com tudo o que eu sou, e mesmo quando todas as certezas se tornam incertas, isso ainda permanece inabalado. Reconheço o privilégio de viver isso tudo, e vejo a graça de Deus operando em mim em todo o processo, incansável em me tratar, transformar e limpar sempre renovando a alegria e a esperança.

O que antes era sonho agora é realidade, e o que era expectativa agora é meu dia-a-dia. Ainda faltam 113 peças desse mosaico vivo, cada uma com sua cor e forma. Com muito entusiasmo assisto cada peça sendo colocada, e espero ansiosamente ver a imagem final de um ano que mudou minha vida pra sempre.

“Standing on this mountaintop Looking just how far we’ve come Knowing that for every step
You were with us.

Never once did we ever walk alone Never once did You leave us on our own You are faithful, God, You are faithful”

– Never Once, Matt Redman