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A desesperadora procura por um estágio

A desesperadora procura por um estágio

No edital 180 do CsF, os alunos têm aulas nas universidades durante nove meses e depois fazem um estágio de três meses. Só faz estágio quem quer e quem consegue, caso contrário, o aluno é obrigado a voltar para o Brasil após o fim das aulas. Estágios e pesquisas podem ser voluntários ou remunerados (o mais difícil de conseguir). Deadlines, ou data limite, é um termo um pouco assustador nesse processo. Tínhamos até o final de maio para conseguir um estágio de verão e pedir a autorização para o IIE (Institute of International Education).

Em janeiro a busca se iniciou. A universidade participa de um sistema online onde vagas de estágios são ofertadas para alunos da DePaul diariamente. Além disso, foram promovidas feiras de estágios no Campus (o que foi uma ótima experiência para superar o medo de distribuir currículos e fazer uma breve apresentação em inglês de si mesmo), com a participação de empresas importantes dos Estados Unidos. Na procura de um estágio, tive que dar a cara à tapa. Corri atrás, mandei milhões de e-mails, compareci a escritórios de vários professores em busca de pesquisas. E sempre que podia, ia até o Career Center, um escritório da universidade especializado em orientar o aluno na busca de empregos/estágios.

Winter Job Fair na DePaul University

Winter Job Fair na DePaul University

Enquanto isso, eu acompanhava outros brasileiros do CsF na DePaul e vi que o processo é lento e preocupante, e que eu não era a única desesperada. Desesperada pela possibilidade de ter que deixar meus amigos, namorado e a cidade que amo três meses antes do previsto. Eu poderia até ter procurado estágios em outras cidades americanas, mas Chicago é onde meu coração está. Com o tempo, a gente vai perdendo as esperanças.

Sem dúvidas, o inverno foi a época mais estressante do programa para mim. A procura já se estendia para três meses, quando o bimestre da primavera começou. No começo de abril, iniciei uma aula sobre museus, em um sábado de manhã, com uma professora muito simpática. Em um certo dia conversamos e ela perguntou de onde eu era, quanto tempo eu ia ficar e essas coisas. Contei do meu problema e na mesma hora ela me ofereceu uma oportunidade de trabalhar voluntariamente com ela. Naquele momento todos meus problemas pareciam ter ido embora. Foi um grande alívio pra mim.

Professora Barbara Radner (terceira) em uma de suas aulas

Professora Barbara Radner (terceira) em uma de suas aulas

Mesmo procurando com antecedência, não depende só de você conseguir um estágio. Se para os americanos já é complicado, imagina para os brasileiros! Definitivamente, essa foi uma experiência que não gostaria de viver de novo.

Agora, que as aulas acabaram, estou animada para iniciar o estágio com Barbara. Sinto que as coisas estão acabando aos poucos. Alguns brasileiros que não conseguiram estágio estão voltando para o país, outros mudando de cidade. Minhas roommates estão deixando o dormitório e eu terei que mudar para outro quarto. É uma sensação amarga ver que esse sonho está acabando.