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A luta pela educação

A luta pela educação

Nos últimos tempos tenho refletido muito sobre a situação do ensino de Design no Brasil e no mundo, tanto nos dias atuais quanto no passado. Foi então que decidi abrir esse espaço no blog para colocar alguns pontos em contraste. Aproveitando o gancho da atual greve da UEMG e os protestos que estão acontecendo na universidade em que estudo aqui no Canadá, gostaria de expor e propor uma reflexão sobre o assunto.

A Nova Scotia College of Art and Design University foi fundada em 1887 com o nome de Victoria School of Art e é a escola independente de arte mais antiga do Canadá. O ensino de design na NSCAD foi um dos pioneiros no país se tratando da interdisciplinaridade do curso (principalmente com a unificação das áreas do design), assim como na inserção do pensamento crítico no currículo. A universidade sempre esteve muito conectada com a arte política e isso influenciou também na formação do curso de design. Como exemplo, nas décadas de 1960 e 1970 houve uma adesão em massa de professores, alunos, artistas e designers ao movimento Fluxus (movimento antiarte de cunho libertário) dentro da universidade.

Após um período de cortes de verbas governamentais na última década, logo depois do investimento em um novo campus, a situação financeira da universidade se agravou. A principal consequência disso para os estudantes foi um aumento de 37% no valor pago nas semestralidades nos últimos três anos. Esse ajuste, combinado com o ajuste anual, chegaria ao valor de $8700 por ano em 2018, o valor mais alto em um bacharelado de artes visuais em todo o país. Na última quinta-feira (3/12) a universidade anunciou que o aumento só afetaria os alunos que estão matriculados em cinco ou mais matérias, o que representaria 38% dos discentes.

Os estudantes buscaram diálogo com a presidente da universidade, e de acordo com eles, não obtiveram sucesso, chegando ao ponto de na última semana a Universidade ter mantido as portas trancadas para o público geral, muito diferente de como elas sempre estiveram: abertas. Apesar disso, as aulas ocorreram normalmente e os estudantes e membros da Universidade tiveram acesso regular. A justificativa para tal foi que a segurança poderia estar comprometida pelo aumento das tensões.

Os alunos se manifestaram fazendo protestos dentro da Universidade, tentando dialogar com o governo e com a administração da NSCAD, colocando faixas de protesto na área externa do prédio e na última semana muitos estudantes assinaram o formulário de cancelamento de matrícula para algumas matérias já no fim do semestre como forma de protesto. Os alunos, e alguns professores, justificam que existem outras formas de conseguir mais verbas sem prejudicar os estudantes, pois isso consequentemente acabaria prejudicando toda a Universidade.

Apesar de haver diferenças com a atual situação da UEMG, é muito interessante – e também lamentável – perceber como o ensino é uma luta incansável e difícil, porém, sempre necessária. A luta educacional – e necessariamente política – é uma luta que vale a pena acreditar e fazer parte.

É possível perceber como há dificuldades em todo lugar em se estabelecer um ensino de qualidade, mas ao mesmo tempo, é válido lembrar da Escola de Ulm (Hfg-Ulm), que foi um modelo inovador e revolucionário em termos de projeto educacional de design, mas que passou toda a sua história com dificuldades financeiras, que culminaram no encerramento de suas atividades no ano de 1968. No entanto, os problemas enfrentados e o triste fim não impediram que a sua mensagem fosse espalhada para todo o mundo e muito menos que a sua importância para a história do design tivesse sido menor.

Para finalizar, aproveito este espaço para deixar registrado o meu total apoio à greve da UEMG, assim como às manifestações dos alunos da NSCAD. Todos fazemos parte de uma luta mais do que necessária em tempos tão difíceis para a educação no Brasil e no mundo.

Por uma educação, sociedade e design, internacionalistas e unidos!

A luta pela educação

NSCAD United

#OcupaUEMG