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Auto-reflexões, um vício cotidiano

Auto-reflexões, um vício cotidiano

Agora, perto da metade do tempo de intercâmbio, não fiz metade das coisas que queria fazer. Sim, dá um leve desespero. Um ano parece ser muito tempo na teoria, mas na prática é um tempo curto, ainda mais quando se quer abraçar o mundo e fazer mais do que seu tempo e dinheiro permitem. Então eu tento, me planejo, sou racional, faço listas, planilhas e muitos planos. Uma eterna corrida contra o relógio, uma leve obrigação de ter que fazer tudo o tempo todo. Mas quando você para e pensa de verdade, conclui o que ninguém conta. O segredo é que não precisa se apegar a nada disso. Esqueça a correria e curta. Faça no seu ritmo, no tempo da sua vontade de descobrir as coisas. E por mais que vocês tenha planos e metas se permita, mude-os a qualquer momento. Aproveite o tempo para explorar você, depois que auto-exploração acontece explorar o meio externo fica mais divertido, mais leve e proveitoso.

Tanta coisa eu já vi nesses poucos meses. Aprendi sobre diferenças, culturas e pessoas. Percebi que alguns meses por aqui são anos da vida real. Porque sim, estar aqui ainda não parece ser a vida real. E de certo modo não é. Aqui eu saí da minha bolha. Convivo com pessoas que, se fosse em BH, certamente não saberia os nomes. Com o olhar de quem é de fora, aqui vejo tudo com o encantamento de quem vê algo pela primeira vez. Porque realmente é a primeira vez que vejo tudo e não porque resolvi ter uma perspectiva diferente das coisas. Estar aqui acelera vários processos e me obriga a vivenciar outro mundo, sair da minha bolha. Já prevejo que voltarei para o Brasil com esse olhar. Olhar de quem continua querendo ver coisas novas. E o que é mais louco, a cidade na qual vivi tantos anos vai consegui me proporcionar isso. Simplesmente pelo fato de que quem mudou fui eu. Agora eu conseguirei ver o que antes não via.

Junto com o tempo livre que tenho por aqui, vem as observações da vida, questionamentos aparecem (ou reaparecem). Talvez por eu ser um tanto quanto reflexiva, sempre numa busca infinita por sentidos e processos internos. Estar um ano fora do meu cotidiano, em um lugar onde conheceria pouca gente, onde tudo seria novo, onde poderia fazer acontecer uma vida do zero, parecia a oportunidade perfeita para colocar em dia alguns processos mentais. Engana-se quem pensa que estar nesse situação é garantia de melhoras na vida. Estar aqui, por si só, não garante boas vivências, não garante novos amigos, não garante um vida nova. Simplesmente, porque se você continua reproduzindo os mesmo hábitos a vida continuará igual. Sim, é preciso ir atrás, é preciso fazer diferente para ser diferente. E assim cai a ficha de que não é o externo e sim o interno. Mudanças vem de dentro pra fora. E aí você muda, e percebe que não existe nem a tal oportunidade de começar qualquer coisa nenhuma do zero, porque existem memórias e histórias que nunca deixarão de te acompanhar. As tais raízes que todos temos, tudo aquilo que viveu, sentiu e presenciou também faz parte daquilo que está acontecendo hoje. Então não tenho nem como explicar bem tudo que vi por aqui, pois só eu posso ter a dimensão real de como tudo tem sido.

Pelos muros da Itália. “Veja o melhor e o pior de ti e escolha entre eles.”

Pelos muros da Itália. “Veja o melhor e o pior de ti e escolha entre eles.”