Pages Menu
Cenário urbano de Torino

Cenário urbano de Torino

Confesso que mudei para Turim sem procurar anteriormente muito a respeito da cidade. Havia conversado com alguns amigos que moraram aqui e eles me garantiram que eu havia feito uma das melhores escolhas. Achava que o estereótipo de uma cidade italiana (arte e pizza) se repetiria em todas e aqui não mudaria muito. Não que seja bem diferente: a cada esquina me deparo com uma pizzaria, assim como, com uma obra de arte. Entretanto, quando cheguei aqui, consegui comprovar do que eles estavam falando: Turim não é uma cidade turística assim como Roma, Milão e Florença. A maioria das pessoas que mora aqui está, de alguma forma, vinculada às Universidades. Isso muda (e muito) a maneira de habitar, enxergar, assim como, influenciar na paisagem urbana. Pelo que ando percebendo, os moradores conseguem ter uma maior liberdade poética para interferir e usufruir da cidade, o que acho que nessas outras cidades não acontece com tanta frequência.

As ruas, assim como os principais pontos turísticos, não ficam lotados de turistas podendo assim ser possível conhecer de fato os italianos que habitam aqui. Moro na região do Piemonte, província mais ao norte da Itália, e que difere da maioria das outras pelo comportamento dos italianos, que são bem parecidos com o modo francês ou suíço por se tratar de uma região bem próxima. Apesar de tratarem todas as pessoas com uma educação sensacional, eles são bem mais reservados e não muito receptivos e calorosos como os italianos do sul da Itália. Mas esse cenário é um pouco diverso em Torino, especialmente porque aqui é uma cidade universitária tendo então grande parte de pessoas vindas das outras regiões para estudar. Além disso, é uma cidade que ainda está criando seu cenário e está aberta à transformações, mas conserva sua tradição arquitetônica sendo uma cidade quase totalmente horizontal. Da mesma maneira, usam dessa tradição para criar o novo. Há dois anos, por exemplo, artistas se reuniram com o apoio financeiro da própria cidade e puderam grafitar e pintar nos murais de grandes edificações espalhando a arte contemporânea pelas ruas. Conseguiram revitalizar um galpão abandonado de uma fábrica transformando-­o em um dos principais parques da cidade. Acontecem também diversos eventos de artes e design durante as semanas para mostrar aos moradores a arte urbana aqui presente, de modo a despertar e instigar o interesse de todos. Tive a oportunidade de participar de alguns desses e, em um deles, a proposta foi bastante interessante: deixarem um galpão totalmente em branco e deram as ferramentas para que os artistas, amantes da artes e até mesmo crianças, pudessem intervir no local. Era possível ver inicialmente o medo e receio das pessoas antes de começar a desenhar nas paredes. Aos poucos, o galpão totalmente em branco ganhou traços e cores de modo a nenhum pintor ficar com apego à sua arte,  sendo possível que todos intervissem em cima dela do modo que imaginassem. Assim como havia escrito no texto anterior e volto a reforçar, todo dia comprovo a frase que “os italianos têm fome de comida e sede por arte”. E, para minha surpresa, acrescento que aqui é uma cidade em que respiram design!

II Congresso dei Designatori di Torino (Esquerda - espaço em branco / Direita - espaço no final)

II Congresso dei Designatori di Torino (Esquerda – espaço em branco / Direita – espaço no final)