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Choque de cultura e costumes estranhos

Choque de cultura e costumes estranhos

Como já se pode esperar, mudar de país implica na necessidade de se adaptar a diferenças, não só geográficas, mas também culturais. Eu, claro, também passei por essa adaptação. No início estranhei muitas coisas e dava risada de outras, mas agora já estou tão acostumado que tenho que me esforçar para perceber ou lembrar desses hábitos que são diferentes aqui.

A começar pelo mais clássico costume espanhol: a Siesta! Quem não quer ter aquela pausa depois do almoço com tempo suficiente para comer e dormir umas horinhas?! Esse costume eu já esperava desde antes do intercâmbio, mas na verdade é uma coisa que faz diferença mesmo pra quem trabalha, porque escolas e universidades tem seus horários normais. Como aqui eu só estudo, a siesta algumas vezes acabou sendo um atraso. Perdi a conta de quantas vezes sai de casa para ir comprar ou resolver alguma coisa e me deparar com o comércio fechado e as ruas quase desertas pra só então perceber que era hora da siesta.

Outra coisa que é curiosa observar é o comportamento dos espanhóis/bascos. Eles são muito tranquilos em alguns aspectos, como no trânsito. Diariamente você vê carros estacionados em esquinas, estacionados em fila dupla e até em rotatórias, gente parando o carro enquanto o sinal está aberto pra descer alguém e ninguém se estressa com isso, esperam ou dão um jeito, sem buzinar ou xingar. Pra mim, o ápice é quando alguém tenta uma baliza, comprova que o carro não cabe e deixa o carro estacionado na diagonal mesmo! Olha que não foram poucas as vezes que vi isso. Por outro lado, aqui no País Basco, a faixa de pedestre é sempre respeitada e pra quem está acostumado com o ‘carinhoso’ trânsito de Belo Horizonte, foi um choque e tanto ver essas coisas.

´Baliza espanhola´

´Baliza espanhola´

Uma coisa que é difícil de se acostumar aqui é com os costumes de higiene, tal como assoar o nariz (fazendo o máximo de barulho possível) em lugares públicos, sala de aula etc., e pra piorar, muitos assoam o nariz num lenço de papel, dobram e guardam de volta no bolso pra usar de novo. Arghh.

Os espanhóis também ignoram alguns pequenos hábitos de higiene como ter atenção no manuseio de comida e dinheiro. Em muitos comércios como padarias, açougues, mercearias etc, a mesma pessoa que te atende, recebe o dinheiro e ela pega na sua comida sem hesitar depois de pegar no dinheiro. Já vi em alguns lugares o atendente usando luva em uma das mãos, mas a mão com luva também pega dinheiro e comida! Vai entender.

Aliás, na padaria te entregam o pão enrolado num papelzinho mais fajuto e se você sai na rua no horário do almoço o que mais vai ver é um espanhol carregando uma baguette debaixo do braço. Isso tem a ver com outro costume local que é comer pão com absolutamente tudo! Sopa, macarrão, petiscos, carnes… o que seja, sempre pode ter um pão para acompanhar.

O pão é entregue enrolado num papel

O pão é entregue enrolado num papel

Uma coisa que dá gosto de ver aqui e que acontece menos no Brasil é ver como as pessoas mais velhas tem uma vida social ativa. No Brasil, de modo geral, as pessoas vão deixando de sair e ficando cada vez mais em casa na medida em que envelhecem. Já aqui não importa se você depende de andador ou cadeira de rodas, isso não te impede de sair de casa para encontrar amigos, ir para um bar, igreja, parque com os netos. É admirável. Penso que esse fator não é simplesmente uma coisa cultural, claro que há influencia de questões de segurança, acessibilidade, poder financeiro e outros.

Quando cheguei, pensei comigo que quando velho me mudaria pra cá pra ter essa qualidade de vida. Mas hoje quero mais é ver o Brasil evoluir e poder ter essa vida lá mesmo!

Choque de cultura

Choque de cultura

Vale lembrar que a Espanha, apesar de pequena se comparada com o Brasil, tem muitas variações de região pra região e o povo basco com certeza tem especificidades que não se observa em toda Espanha.