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Como eu comecei a tomar chá

Como eu comecei a tomar chá

O que dizer dessa rotina que eu mal conheço e já considero pacas? (haha) Brincadeiras à parte, vou começar o post de hoje falando de uma coisa que, para mim, tem sido grande prioridades nesse último mês e pouco que estou no Ciência Sem Fronteiras: saúde. Para começar que o clima daqui é extremamente diferente em comparação ao do Brasil, o que, naturalmente, já abala o sistema imunológico. Leeds é uma cidade que venta muito (muito mesmo) e isso combinado ao fato de andar para cima e para baixo (nos morros eternos dessa cidade), já me resultou numa garganta ruim algumas vezes, mas nada muito grave – resolvido em um dia de repouso, sopa e Tilenol da flatmate querida e, claro, o chá (que depois de tanto tomar por isso, virou uma rotina que agora é até prazerosa).

Uma dica que resolvi seguir foi aderir à vitamina C. Eu não costumo comprar muitas frutas com essa vitamina aqui, como costumava em casa: é bem raro tomar um suco de limão ou de laranja aqui. Eu, normalmente, fico só na água mesmo (o que é bom, já que agora bebo de 8 a 15 copos de água no dia!), então o complemento se fez muito que bem-vindo ao meu dia-a-dia. O segundo foi beber água com mais frequência: aqui é mais frio, mais úmido, então não existe aquela necessidade louca de beber água que nem nos calores de quarenta graus no Brasil, mas é importante se manter bem e hidratado. Só nisso, a minha resistência subiu lindamente aqui na terra da rainha. Mas nada se compara à diferença que faz você se alimentar bem.

Eu não sou uma pessoa de comer muitas porcarias. Adoro frutas, adoro legumes, verduras e todas essas coisas naturais. Porém, nas primeiras semanas, sempre que eu fazia as compras da semana, eles estragavam por um motivo simples: não tem gente suficiente nesse flat pra comer tanta verdura! (haha) Umas das minhas flatmates tem horror a quase que 100% de legumes e verduras, outra delas odeia verdura e não pode comer vários legumes por motivos pessoais, e as outras duas eu sequer vi comendo qualquer coisa que não fosse macarrão e carne congelada (tipo nuggets). A solução que eu encontrei foi de comprar os legumes congelados e pequenos packs de verduras que eu pudesse consumir rápido. Outra coisa: carne. Eu nunca comi muita carne, nunca senti falta (espero nunca sentir também) e eu dou sempre preferência em usar ovo como a minha proteína, ou atum. O importante é NÃO se esquecer delas e viver só de macarrão (que nem alguéns que eu conheço aqui, haha).

Outro detalhe importante pra mim (e talvez pra mais alguém), é que eu sou intolerante à lactose. Para quem estava lindamente acostumada em comer de leite à requeijão e iogurte sem lactose porque tem pais ótimos, a realidade aqui dói um pouco. Eu achei os produtos sem lactose bem mais caros aqui do que no Brasil, então eu preferi evitá-los a gastar fortunas. Eu compro um leite sem lactose, para fazer purês e coisas assim, mas adeus iogurtes, cream cheese (que é a minha sentença de morte) e requeijão. Quando as meninas daqui fazem pão de queijo ou bolo, eu tomo minha lactase (que, inclusive, acabou no primeiro mês e eu já tive que comprar mais, e prometo que vou me esforçar pra essas durarem até o fim do ano) e mesmo assim como bem pouco.

Sobre exercícios físicos: vim me prometendo que faria. Não entrei na academia, não entrei em time de corrida, não fiz nada disso. Mas ando, aproximadamente, 6 km por dia entre ir e voltar da faculdade, sem contar em quando ainda passo em outro lugar ou testo outros caminhos. Pra quem fazia zero exercícios no Brasil, é um começo.

Agora, deixando um pouco de lado as lições de viver saudável, nesse país existem três lojas incríveis que são a perdição (e causa da queda tão grande no meu número de lactases do primeiro mês): Home Bargains, Poundworld e Poundland, também conhecidas como o paraíso dos doces e dos noodles de comer de madrugada. Aqui no flat, existe um vício coletivo chamado Happy Hippo, que é um Kinder…Melhor, mais crocante e tudo que há de bom no universo em três mordidas (sem brincadeira). Já chegamos a esgotar o estoque de lojas comprando juntas e a vida segue incrível com essa invenção da Kinder. Juro que duas semanas atrás eu estava determinada a nunca mais comer isso na minha vida, mas tive abstinência e corri no centro pra comprar. Não experimentem essa droga.

No mais, aproveitando o papo de comida: A COMIDA INGLESA É LAMENTÁVEL. Coloquem-se no lugar de uma pessoa que veio do estado com a melhor comida que existe, que adora temperos e coisas gostosas, vir parar num lugar em que a comida é insossa. Sério. Não tem sal, não tem tempero, não tem gosto. Já reclamei com os próprios ingleses disso e eles só falam que eu não sei comer direito. Começando pelo famoso fish and chips (que eu sempre comia num pub irlandês de Belo Horizonte), eu comi pela primeira vez em York, no início do intercâmbio e não gostei. É gorduroso, e sem sal (o peixe, as batatas são bem boas na verdade). Comi uma segunda vez, colocando o tal sal e vinagre que nós mesmos temos que colocar, segundo um amigo meu daqui. Sabe o que mudou? NADA. Adeus fish and chips, bom te conhecer. Não vou comentar muito do English Breakfast porque black pudim (chorizo) e cogumelos ensopados. Enfim.

English breakfast

English breakfast

Sobre saúde: se cuidem, crianças e, talvez, aprendam a tomar chá, como eu. Vai que…