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Das pequenas coisas rotineiras italianas

Das pequenas coisas rotineiras italianas

Acordar bem cedinho com o sol ainda um pouco tímido batendo em sua janela, levantar para preparar o café na tradicional Moka acrescido de esperar inquietamente o assovio do mesmo para saber que, a partir daquele momento, o seu dia acabou de começar. Enquanto isso, o italiano daqui de casa que já enrolou seu trago de cigarro, esta encostado na varanda cumprimenta-me com um sorridente “boungiorno”. É estranho e ao mesmo tempo singular saber que, tudo aquilo que fazia parte de um mundo totalmente novo e desconhecido, agora virou parte de uma rotina, se assim posso chamar. Uma rotina totalmente moldável que se constrói ao decorrer do próprio dia. E, talvez essa será uma das minhas principais saudades dessa terra: de ter a liberdade de fazer rotas e caminhos diários totalmente diferentes esbarrando, por acidente, em monumentais obras da história.

O sol, que há uns dias ainda estava escondidinho, agora já está de volta, fazendo com que aqueles pesados casacos de neve fiquem guardados no armário e lembrados agora só para contar história. O mesmo sol, retornou a diária possibilidade de andar à uma gelateria e pedir um gelato com gosto de quero mais. E, acima de tudo, ele trouxe de volta quase imediatamente a possibilidade de usar umas havaianas para ir ao mercado fazer o sacolão da semana, embora os italianos estranhem um pouco. Ressalto aqui a minha semanal visita ao supermercado e aos mercados de frutas de rua, com uma lista de coisas para comprar que antes não fazia ideia do que seriam ou mesmo como usaria e, minha capacidade adotada recentemente de ter sabedoria na hora de escolher legumes e frutas, talvez para o orgulho da mamãe. Da mesma maneira, virou uma rotina voltar para casa depois de uma aula e pegar na dispensa um pacote de pasta e de pesto e fazer a melhor combinação gastronômica italiana para o momento. Se a pasta acabar, não titubear em passar em um kebab que também cairá muito bem.