Pages Menu
Desenhos e despedidas em Szekésfehérvár

Desenhos e despedidas em Szekésfehérvár

Final de semestre é sempre uma correria acompanhada também de um certo alívio depois de trabalhos finais, projetos, apresentações e tudo mais – como quase aluno da UEMG está mais do que acostumado. É um pequeno desespero produtivo, todas as procrastinações tem que ser esquecidas e é mais do que a hora de conseguir o resultado esperado, é o final de tudo. Mesmo com o design e todo seu processo criativo, a hora de realmente terminar o projeto talvez seja o que mais gastamos energia, pois depois geralmente não há mais volta.

Aqui em Budapeste a sensação de alívio foi de certa forma trocada por um gosto de quero mais. Não sei se é porque o semestre é curto ou se são tantas coisas acontecendo entre as aulas, nosso dia-a-dia, viagens, baladas, etc., que, quando dei por mim, os quatro meses dos segundo semestre letivo estavam chegando ao fim. Era um pouco triste, pois realmente me identifiquei muito com a Fine Arts e  talvez a experiência que tive por lá não se repita mais. Penso nisso mais ainda quando se trata do professor de desenhos, um gênio que não vou esquecer, nem dele e muito menos de suas aulas. Eu nunca fui desenhista, e talvez nunca serei, mas só de participar de sua matéria já senti muita diferença nas minha linhas e representações, tão necessárias para outras aptidões, principalmente para nós designers.

Felizmente, ele teve uma ideia de levar-nos para uma viagem no último dia de aula. O foco era de praticarmos tudo que aprendemos nos dois semestres, tanto na aula de desenho anatômico com modelos quanto nas representações visuais geométricas de objetos e edificações.  Para isso fizemos uma excursão de um dia para a cidade de Szekésfehévár no interior da Hungria e visitamos o castelo chamado Borivár. Na verdade não era um castelo em si, era parecido apenas, mas bem inusitado, construído por apenas um homem como a casa de sua família e um espaço próprio de estudo e prática das artes e arquitetura. Ele era um membro antigo da faculdade que ganhou grande notoriedade por essa sua “invenção”. Sua família ainda estava por lá até hoje e o espaço se tornou um museu aberto.

Era impressionante, devido ao tamanho da edificação, altura, número de obras e outras raridades -que podem até ser consideradas estranhas. Eram muitas coisas de categorias totalmente ecléticas, a ideia então era de rodearmos o espaço e tentar representar o que quiséssemos, desde o espaço em si quanto as esculturas e obras. Foi ótimo, por quatro horas ficamos espalhados pelo local, livres, leves e soltos, sem nenhum compromisso além de praticar tudo que fizemos dentro das salas de aula.

Após o término dos desenhos, ele convidou nós alunos e a coordenadora para sua casa de campo na mesma cidade para tomarmos uma cerveja, conhecer seu espaço e termos um momento mais informal,  não me esquecerei. Realmente nós brasileiros, como qualquer aluno da faculdade, fomos mais do que somente alunos, é bem de igual para igual e foi uma amizade de certa forma. É uma pena, mas tá acabando…

Esculturas no castelo Borivár

Esculturas no castelo Bory-Vár