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É aqui que eu moro

É aqui que eu moro

Quando recebi a carta de aceite da Emily Carr University of Art + Design (ECUAD), eu comecei a pensar nos vários problemas que tinha que resolver. O principal deles era aonde eu ia morar. Mas apesar de soar intimidador, foi fácil. Entrei em contato com uma brasileira que já estava em Vancouver (e estudando na Emily Carr) e que iria mudar. Ela me ofereceu o apartamento e eu aceitei no mesmo instante.

CDM visto da rua

CDM visto da rua

O Centre for Digital Media (CDM para os íntimos) é um campus construído com a colaboração de quatro Universidades de Vancouver – dentre elas a ECUAD. Lá tem salas e laboratórios, para os cursos de mestrado em mídia digital, e principalmente apartamentos para os estudantes das quatro Universidades parceiras. Cada apartamento possui um banheiro, uma pequena cozinha com geladeira, fogão e micro-ondas, e um quarto amplo com cama, mesa, estante, mesa de centro, sofá e armário. Eu ainda fui honrado com uma TV de tubo de “presente” da antiga moradora. A água da torneira é potável e aquecida a gás, enquanto o fogão é elétrico.

Minha 'vista' da rua

Minha ‘vista’ da rua

O apartamento é ótimo. Tem bastante espaço, temos liberdade para mudar os móveis como quisermos, a janela é grande e a vista agradável (infelizmente fiquei do lado com a vista mais feia, mas ainda me divirto vendo os carros passar, principalmente os de polícia e bombeiros). O chão de carpete ajuda a disfarçar a sujeira, mas quando não dá mais pra aguentar podemos pedir um aspirador de pó emprestado com o sindico. Se tenho o que reclamar é a iluminação aqui dentro. Por algum motivo bizarro não há luz no teto do quarto, só na cozinha e banheiro. As únicas fontes de luz são dois pequenos abajures de mesa – um deles com led – e um abajur de coluna que se mostra pequeno demais para iluminar todo o espaço. Além disso, como chove quase todo dia, a janela fica suja por fora e não é limpa com frequência.

Para lavar a roupa temos um cartão parecido com um cartão de crédito, no qual colocamos dinheiro pela internet. No segundo andar há uma lavanderia que todos podem usar. É só inserir o cartão na máquina, escolher as opções e esperar. O mesmo esquema para a secadora. Aqui não se passa a roupa, pois a secadora esquenta a roupa e é só colocar num cabide ou dobrar a roupa que ela não amassa.

Meu apartamento em Vancouver

Meu apartamento em Vancouver

O prédio se encontra numa região um tanto deserta. Não que não tenha nada por perto, mas além de algumas casas, uma estação de Skytrain e uma escolinha, não há muito o que ver. Por isso fazer as compras do mês requer alguns minutos de caminhada e uma viagem de ônibus, ou uma viagem de ônibus e outra de Skytrain (leia o texto da Isadora Mayumi para entender o transporte público!).

A vizinhança também é ótima. Ou pelo menos quem eu conheço. O que se resume aos brasileiros. Eles também estudam na ECUAD, então sempre nos encontramos por aqui ou por lá. São todos ótimas pessoas e estão sempre me convidando para comer pizza e jogar uma partida de Age of Empires.

O aluguel tem que ser pago de três em três meses pessoalmente no escritório da agencia, que fica em Richmond. E o preço também não é dos melhores. É mais caro que a mensalidade de homestay, sem contar com despesas de comida e lavanderia. Mas para mim vale a pena.

Morar sozinho para mim foi ao mesmo tempo um desafio e uma conquista. Para quem nunca saiu do ninho da mãe por mais de uma semana ou duas, acho que estou me saindo bem. Estou começando a me disciplinar a lavar a louça com mais frequência e a não deixar as minhas coisas espalhadas pelo apartamento. Estou dormindo mais tarde e acordando mais tarde. Estou aprendendo a cozinhar. Está sendo a melhor experiência que eu já tive, e com certeza, já estou mudando e crescendo aqui.