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Está chegando a hora, Brasil!

Está chegando a hora, Brasil!

Como todas as coisas boas dessa vida não duram para sempre, mais uma vez digo a mim mesmo para me acostumar com as histórias, encontros, términos, ciclos e recomeços. São situações que podemos nos encontrar em diversos aspectos, e isso se dá, talvez, através da maneira em que realmente valorizamos todas as experiências que esta vida nos oferece, ou pelo menos deveríamos agir como tal.

Há cerca de um ano estava eu, na louca situação de sair de beagá, de “largar tudo” e ir voando para a Hungria para estudar pelo Ciência sem Fronteiras. Depois do angustiante processo de espera de seis meses, estava tudo certo para ir. Eu só precisava seguir a partir de então. E neste caminho só havia eu por enquanto, alguns companheiros virtuais do mesmo barco mas, no final das contas, era eu e eu. Teria que me garantir em tudo, resolver questões, conhecer pessoas, arrumar onde morar, pagar aluguel todo mês, organizar meu dinheiro mensal, desembolar toda uma nova gama de coisas que não fazia tanta parte da minha vivência no Brasil desde então. Era novidade atrás da outra e mais ainda muitas expectativas borbulhando na minha cabeça antes da partida. Foi difícil ir, me entregar mesmo e partir de verdade. Fiquei apegado a muitas coisas e um ano realmente parecia demais, parecia uma vida longuíssima fora de casa, do meu conforto, dos amigos, romances, lugares, faculdade… Talvez tudo novo demais para mim, um certo medinho, que foi uma despedida intensa, era um ciclo fechando e outro só iniciando, completamente em branco.

E é impressionante como todas as perspectivas mudam depois de um tempo. A adaptação é louca, pessoas vem e vão, era outra língua também, outra cidade, uma nova realidade no dia a dia, da rotina, a vida por completo. Pouco a pouco fui me sentindo confortável e em casa. E é exatamente como me sinto agora. Todos os sentimentos do início, estão se manifestando novamente, mas pelo contrário, é pela volta. É de não saber qual Brasil vou encontrar, voltar a casa dos meus pais, perder um certo tipo de autonomia que adquiri morando sozinho, e por aí vai… Muita coisa rolou e meu lugar agora é aqui. E será invertido, já. Saudades são infinitas, claro, não há lugar como o Brasil, e muito menos como BH. Mas a data marcada de volta é terrível, é um conta tempo danado, o planejamento dos últimos dias, aproveitar tudo que der dessa vida de agora, que daqui a pouco tempo já vai mudar… Ainda vamos ter alguns workshops na faculdade em julho e agosto e é empolgante pois teremos ainda algum tempo para despedir dos professores e também dos colegas, a maioria brasileiros de vários lugares.

É a vida seguindo, simplesmente, e só tenho que agradecer a esta cidade linda que é Budapeste, não só a ela como aos amigos daqui, os companheiros de viagem, as pessoas húngaras que conheci, a minha faculdade que me proporcionou muito que eu nem esperava, todos que me acompanharam e me trouxeram diferentes valores e circunstâncias que me tornaram uma pessoa diferente de certa forma. A volta pro Brasil vai ser tão difícil quanto a vinda para cá, mas vai ser boa, eu tenho certeza… Observar as diferenças, matar as saudades, relembrar tudo e continuar, seguir… É vida real agora, de fato!

Valeu demais, deixo registrado aqui um grande beijo pra quem fica!

Pôr do sol na Margit Hid

Pôr do sol na Margit Hid