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Este lugar incrível chamado Universidade

Este lugar incrível chamado Universidade

Em setembro comecei meus estudos em Industrial Design Engineering na De Haagse Hogeschool (The Hague University of Applied Sciences).

Interior do prédio principal

Interior do prédio principal

Não tenho palavras para descrever como foi a primeira vez que entrei na Universidade. Juro que me senti entrando em um cenário de filme de ficção científica. A estrutura é de fato impressionante. Ao longo do caminho para a entrada, há uma fonte com cascata que se estende por todo o percurso, e a água segue por uma série de filetes no chão até um lago. A ideia por trás desses filetes, é que enquanto você ande, você seja obrigado a olhar para o chão e pense em cada passo que você vá dar. Uma ideia que deve ser levada para vida. Claro que nem todo mundo leva isso em consideração, por isso é comum ver gente tropeçando no caminho e encharcando as pernas na água fria.

São quatro prédios: o principal é o Ovaal, que é exatamente isso, um prédio oval. Ele se conecta aos outros prédios por pontes panorâmicas. Os outros prédios são o Slinger, o Strip e o Rugzak. Rugzak é o holandês para “Mochila”, uma alusão ao fato dele ser anexado atrás do Slinger. É no Rugzak que passo grande parte do dia. A Universidade também conta com um ginásio e academia. E atenção: aqui tem até AULA DE POLEDANCE.

Entrada da Universidade com os filetes de água ao longo do caminho. À direita é possível ver a fonte, e ao fundo as pontes que conectam o Ovaal aos outros prédios

Entrada da Universidade com os filetes de água ao longo do caminho. À direita é possível ver a fonte, e ao fundo as pontes que conectam o Ovaal aos outros prédios

Na minha turma somos seis intercambistas: quatro brasileiros (contando comigo) e dois espanhóis. Nós acompanhamos pessoal do último ano: uma turma de aproximadamente cem estudantes, a maioria holandeses. O foco da Universidade é embasado na prática e no SE VIRA QUERIDA. Assim, não temos professores constantemente. Temos um encontro semanal com nosso instrutor e algumas palestras durante a semana. O resto é por nossa conta.

E eu não tenho aulas. Eu tenho que desenvolver projetos. O primeiro projeto é de um cooler portátil destinado ao CQ Bureau, um estúdio de design industrial, que atende a demandas de cerca de 120 empresas como Pepsi, WWF e Heineken. No início eu estava bem assustada com a ideia do projeto para uma empresa real, mas aos poucos fui me acostumando, e esse projeto é de longe o que eu mais me orgulhei desde que comecei a estudar design.

Logo recebemos um cronograma com o que deveria ser realizado a cada semana, e mesmo que ninguém cheque se estamos cumprindo o cronograma, tudo é feito no prazo. Trabalhamos em grupos, mas veja bem, aqui trabalhos em grupo são realmente levados a sério. Ninguém trabalha através do Facebook. As pessoas realmente se reúnem e passam o dia inteiro na Universidade. Não paramos nem para almoçar. Fica a dica para quem acha que é “Turismo sem Fronteiras”.

Meu grupo se constitui por três holandeses que são simplesmente sensacionais. Para eles também foi a primeira vez que tiveram que desenvolver um projeto todo em inglês, então no início lutamos um pouco com as palavras e termos técnicos, mas a adaptação foi incrivelmente fácil.

O mais complicado é que o curso realmente é mais voltado para engenharia. Tenho tido que aprender eletrônica e física para dar conta de tudo, mas tem sido muito bom ter essa abordagem diferente, e tenho certeza de que isso vai me ajudar bastante daqui pra frente.

E da mesma forma que eu tenho aprendido bastante com meu grupo, eles também têm aprendido comigo. Tem sido uma ótima experiência para ambos os lados. A internacionalização da Universidade só traz benefícios a todos os alunos. É realmente uma pena que no Brasil as universidades não recebam tantos alunos estrangeiros. E uma pena maior ainda que nem todos os estudantes brasileiros tenham a oportunidade de estudar fora.