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Estudar também é preciso

Estudar também é preciso

Assim como eu havia comentado, a cidade em que estou morando tem grande foco para as Universidades daqui, sendo duas as principais: Politécnico di Torino (Polito) e Università di Torino (Unito). Embora as duas sejam as principais, elas se caracterizam por serem especializadas em áreas de estudo distintas: enquanto a primeira se trata de um politécnico, sendo assim, voltada para as áreas mais exatas tendo apenas os cursos relacionados à engenharia, arquitetura e design (que têm muita interdisciplinaridade entre eles); a segunda é voltada para as áreas sociais e humanas. Diferentemente do Brasil em que o vestibular se trata de uma competição canibal, aqui não é necessário esse sistema de seleção. Com exceção de alguns cursos em que é necessário um teste básico para o ingresso, a maioria tem acesso livre, ou seja, basta matricular e iniciar os estudos. Além disso, a graduação italiana é diferente da que estamos acostumados no Brasil, o que me deixou um tanto quanto confuso no início. Ela é dividida em duas partes: Laurea Triennale e Laurea Magistrale. A primeira, com duração de três anos, corresponde a uma introdução do curso e que no final é necessário fazer uma tesi (um projeto final) para se laurear (formar nesse primeiro nível). Assim que você finaliza essa etapa, ou quando achar mais apropriado (pode ser alguns anos depois), é possível iniciar os estudos de Laurea Magistrale que tem uma duração de dois anos, e no final também é necessário fazer uma tesi para conseguir o diploma. Entretanto, conversando com uns amigos italianos, eles me contaram que é bem difícil finalizar todo esse processo em cinco anos, visto que a carga horária é bastante densa, sendo que a maioria se forma em totalizando sete anos de estudos.

Em teoria eu deveria fazer o mesmo nível correspondente ao Brasil, ou seja, o terceiro ano de Laurea Triennale (e junto uma tese de brinde). Porém, comecei assistindo as aulas desse ano e vi que se tratava de uma parte muito teórica do design e que, boa parte dela, eu já havia aprendido no Brasil. Dessa maneira, consegui me inscrever para o Laurea Magistrale. Até ai tudo bem. Todas as aulas são em italiano e está sendo bem tranquilo compreender, e quando os professores falam algo muito importante mesmo eles arriscam falar em inglês (apesar deles acharem que falam muito bem, o inglês dos italianos tem uma pronúncia muito ruim mesmo). Porém, essa semana, descobri que estou na sala dos italianos que estão no último ano do curso, sendo o nosso projeto desse semestre o último que eles desenvolvem antes de fazer a tese final (que no caso é semestre que vem). Não bastasse isso, é claramente possível perceber a competição entre os italianos quando se trata de trabalho para a Universidade (ressalto quando se trata de trabalho para a Universidade visto que, italianos não são muito fãs de trabalhar no dia a dia). Isso se deve ao fato que para eles conseguirem tanto estágio quanto trabalho, é necessário ter um currículo com notas muito boas. Entretanto, a aula é fantástica! Busquei por uma disciplina que eu não tenho na UEMG para conhecer algo novo e uma nova visão sobre a área. Assim como eu falei aqui mesmo, os cursos da Polito tem uma interdisciplinaridade fantástica e, dessa maneira, as matérias que estou cursando fazem parte de um projeto em que se juntaram os alunos de arquitetura que preferem o lado urbanismo e os de design de produto. O projeto esta voltado para revitalizarmos uma região aqui da cidade de acordo com estudos urbanos, aliado ao design sistêmico e de serviço, gerando resultados bastante interessantes pelo que estou percebendo. São quatro disciplinas que no final se unem em um projeto único, sendo que temos que aplicar tudo que vemos em cada uma delas nesse projeto obrigatoriamente. Dessa maneira, ao mesmo tempo em que não ficamos preocupados com vários projetos simultâneos, e acaba que não fazemos nenhum do jeito que realmente queremos para ter que atender a todos assim como no Brasil, se trata de um projeto que precisamos apresentar o conhecimento recebido em todas as disciplinas. Apesar de ser o único brasileiro nessa disciplina, consegui fazer amigos italianos na turma (o que dizem ser bem difícil mesmo). Talvez porque eu fale muito, mesmo não falando italiano tão fluente ainda. Ou porque ficaram com dó de mim. O vídeo que segue é mais um que desenvolvi, mas dessa vez para apresentação da primeira etapa do nosso projeto. As noites viradas ainda estão só começando, mas sinto que assim como no Brasil, aqui ainda vou virar muitas noites fazendo projetos.