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Intercâmbio na Holanda: como foi até então

Intercâmbio na Holanda: como foi até então

Ainda não estou nem na metade do intercâmbio, mas às vezes sinto minha cabeça prestes a explodir com a quantidade de novas informações para processar.

Em vinte anos no Brasil, eu nunca havia saído do país. Aliás, em vinte anos, apenas uma semana eu havia passado fora do Sudeste. Agora eu me assusto de verdade com isso. Em três meses já visitei cinco países e diversas cidades da Holanda. Já pude experimentar os waffles belgas e os chocolates suíços. Pude enfim estar frente a frente com a Vênus de Milo. Fui ao maravilhoso Lollapalooza em Berlim e realizei um dos meus maiores sonhos visitando o estúdio da Warner em Londres. E o ano ainda não acabou. Estou me preparando para passar meu natal na Letônia.

Passadinha na Privet Drive, na Warner. Chorei pouco

Passadinha na Privet Drive, na Warner. Chorei pouco

Meu mundo era uma bolha. Tenho saído daquela zona de conforto em que eu vivia: Filha única, morando com a mãe. Morando sozinha, com bolsa do governo, eu aprendi que se você tem dinheiro para o almoço, o dia já está perfeito e maravilhoso.  Aprendi que apesar de ter trabalhos de faculdade para fazer, minha roupa não vai se lavar sozinha. E que todo o glamour de morar na Holanda se acaba na hora em que você tem que ir em algum lugar e sua única opção é pedalar embaixo de vento e chuva. São coisas que eu precisava viver para ter alguma experiência real de como é se virar.

Aliás, eu não poderia estar mais feliz com o meu apartamento e com os colegas de quarto. As coisas estão ainda melhores desde que um dos chineses se mudou. Agora moro com um chinês, uma letã, e um garoto da Eslováquia. Nosso apartamento não poderia ser mais limpo e nos damos realmente muito bem. Eles de fato viraram minha família. Na verdade, até compramos juntos uma árvore de natal (um pinheiro de verdade), e estamos fazendo os preparativos para a nossa ceia antecipada.

Tivemos que podar os galhos mais baixos do pinheiro. Ficamos horas tentando cortar já que nossa única ferramenta era a faca de cozinha. No fim deu tudo certo

Tivemos que podar os galhos mais baixos do pinheiro. Ficamos horas tentando cortar já que nossa única ferramenta era a faca de cozinha. No fim deu tudo certo

Um dos meus maiores acertos foi ter abraçado a oportunidade de conhecer estrangeiros ao invés de recorrer a solução fácil de simplesmente fazer amigos brasileiros. Meu contato com os brasileiros por aqui é mínimo. Já fiquei tanto tempo sem falar português, que quando tentei conversar com um dos brasileiros me embolei toda tentando formar frases. Parece difícil de acreditar, mas quando seu cérebro começa a funcionar em inglês, e você até pensa em inglês, conversar em português se torna um desafio.

E o maior acontecimento: não tenho mais celular. Eu aprendi que é possível SIM viver sem celular. Roubaram meu celular há uns dois meses enquanto eu viajava. Quando isso aconteceu foi bem chato, mas o que parecia ser ruim, acabou sendo uma das melhores coisas. Nunca me senti tão livre. E ao invés de comprar um novo celular, optei por comprar uma câmera. Com o celular eu só olhava para dentro daquele mundinho restrito dentro do smartphone. Com a câmera eu me sinto feliz olhando o mundo ao meu redor.

Barcos em Geneva. Fotos com celular nunca mais

Barcos em Geneva. Fotos com celular nunca mais

Às vezes bate saudades de casa, da minha mãe, da minha comida, dos amigos. Porém estou MUITO feliz. Tudo tem saído muito melhor do que eu esperava. Um problema ou outro é normal. Faz parte. Estou ansiosa por tudo que ainda está por vir.