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Jonas e o Natal sem neve

Jonas e o Natal sem neve

Eu nunca tinha passado um inverno em um país do hemisfério Norte, então como uma autêntica nativa dos trópicos, eu estava bem ansiosa para ver neve de perto. Acontece que, para a minha decepção pessoal, o inverno desse ano estava sendo bem brando… Exceto por Jonas.

Era final de Janeiro de 2016 e mal tinha nevado na cidade, então, quando anunciaram que uma nevasca chegaria em Nova York eu fiquei um pouquinho preocupada, mas confesso que criei certa expectativa em relação ao tamanho do boneco de neve que daria pra construir. Minha roommate, que já estuda na minha universidade há um ano, me contava histórias impressionantes sobre como as nevascas passadas tinham impedido as pessoas de saírem de casa no inverno do último ano, que tinha sido muito, muito rigoroso.

Muitos americanos têm medo de ficarem ilhados em acontecimentos naturais. Eles têm experiência com nevascas e furacões, então, quando a previsão do tempo não é boa, eles correm para o supermercado e estocam água e comida. A previsão era de que a tempestade durasse 24h, mas pelo tamanho das filas e dos carrinhos que vi supermercado, minha suspeitas eram de que ela ia durar dias.

Como prometido, a tempestade Jonas chegou em Nova York na madrugada do dia 24 de Janeiro, véspera da volta as aulas. Vôos cancelados, geladeiras cheias, dormimos com a neve caindo e acordamos no dia seguinte com a cidade completamente branca e a neve caindo ainda mais pesada. A massa fofa cobria as ruas impedindo qualquer tipo de trânsito que não fosse de veículos de emergência. O prefeito pediu para que as pessoas ficassem em casa, mas a verdade era que não havia perigo em colocar a cara pra fora de casa, e foi isso o que fizemos, junto com outros curiosos. O vento forte e desgovernado impedia de irmos muito longe, mas mesmo assim foi bem divertido passear pelo quarteirão com neve até as canelas e fazer anjos de neve. Em poucas horas, a tempestade Jonas já era considerada a maior nevasca da história de Nova York, compensando toda a ausência de neve que tivemos no Natal.

Tudo congelado

Tudo congelado

No dia seguinte, eu, algumas amigas e todos os outros novaiorquinos, fomos ao Central Park para ver o resultado de mais de 24h de tempestade. Em pouco tempo percebi na prática que a neve é bem bonita quando cai, mas um transtorno no dia seguinte quando começa derreter. Enquanto o parque ainda estava bem bonito, com todas as colinas cobertas de neve fofinha e limpinha, nas ruas, onde os carros já começavam a circular, a neve derretida se misturava com a sujeira do asfalto e se transformava em lama.

Andando na neve ou lama

Andando na neve ou lama

Boneco de neve

Boneco de neve

O Central Park estava cheio de crianças, adultos e cachorros (cachorros adoram neve!), todos brincando. O dia foi divertido, e fizemos tudo quase tudo o que planejamos: bonecos de neve, guerra de bola de neve, anjos de neve… Só faltou o esquibunda, que por falta de um trenó, vai ficar para um próximo inverno!

Maria Theresa | Nevasca - Dia Seguinte