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Os bastidores da notícia boa

Os bastidores da notícia boa

Como todos os processos no meu intercâmbio foram intercalados entre correria e stress e incertezas, o processo de estágio não poderia ser diferente. Antes de começar a contar minha experiência, quero só esclarecer algumas coisas: 1) O processo ainda está em andamento, ou seja, ainda não tenho certeza do meu estágio; 2) A minha experiência está sendo definida pelos eventos que me aconteceram e as minhas reações a eles – não quer dizer que será do mesmo jeito com você (e muito menos que eu tenha tomado as melhores decisões!); e 3) Não vou morrer se eu tiver que voltar pro Brasil mais cedo, só vou ficar chateada por um tempinho (até eu me lembrar das coisas legais que pretendo fazer – e comer). Dito isso, vamos aos fatos.

Desde o início, tinha em mente fazer um estágio aqui em Melbourne depois do meu período letivo. O CNPq “não nos autoriza” estagiar durante o período de estudos, mas não é que você não possa. Você pode desde que não interfira nas suas obrigações, ou seja, nos horários de aula e no seu rendimento acadêmico. O que acontece é que esse estágio não autorizado não será reconhecido pelo CNPq e então não entrará para seu currículo pelo programa. Mas experiência > currículo, né? Pra mim, um dos principais objetivos em relação ao estágio é poder ficar mais um tempinho aqui, então nunca considerei essa opção.

O meu prazo para pedido de extensão da bolsa para realização do estágio era até o dia 30 de setembro no horário de Brasília. A partir de maio (ou junho? Não me lembro ao certo), a RMIT começou a mandar alguns e-mails sobre o assunto, nos orientando a ficar tranquilos que logo mais eles nos providenciariam sessões de orientação esclarecendo o processo e as nossas opções. De qualquer maneira, eu já havia me cadastrado no site de anúncio de estágio deles, o Career Hub RMIT  e vez ou outra entrava lá para checar como eram as ofertas. E sinceramente? Eu não estava ficando mais animada com isso… Toda vez que eu entrei lá, tudo que eu via eram ou a) demanda para eventos de uma semana ou menos, ou b) oportunidades únicas e incríveis… para cidadãos australianos. Ainda assim, tentei permanecer calma e esperar pela orientação da RMIT.

Quando eles finalmente marcaram uma reunião, já era julho e o prazo só ficava mais apertado. Nós basicamente fomos informados de tudo o que já sabíamos, regras do CNPq, e que precisaríamos ser proativos na busca pelo estágio. A universidade nos proporcionaria um workshop de como criar seu currículo nos moldes australianos e os encaminharia a algumas empresas (mas competiríamos pelas vagas com todos os outros alunos que se interessassem). Isso só serviu pra me deixar ainda mais desmotivada. Eu já tinha pesquisado um pouco e não tinha sido bem sucedida, e, não é que eu esperasse que a RMIT me desse uma vaga de graça, mas que pelo menos nos encaminhassem a empresas mais abertas a contratar alunos internacionais. Eu queria prolongar meu tempo em Melbourne, mas esse não era meu único objetivo com o estágio e, depois de um pouco de angústia interna pensando no que fazer do futuro, decidi que não iria ficar por ficar. Meu raciocínio é simples: Prefiro estar no Brasil me dedicando a algo incrível do que na Austrália fazendo algo medíocre.

O tempo está curto e a bucket list ainda está grande

O tempo está curto e a bucket list ainda está grande

Eis que em agosto, nos informam sobre um possível estágio coletivo na RMIT, ainda dependente da aprovação do CNPq como opção válida para extensão da bolsa. E só. Não nos deram mais detalhes ou explicação, apenas pediram uma demonstração de interesse daqueles que ainda não tinham conseguido outra opção mas que gostariam de permanecer em Melbourne. Estava com um pé atrás mas poderia mudar de ideia depois de descobrir do que se tratava, então resolvi demonstrar interesse. O que eu teria a perder? Depois disso, ficamos completamente sem resposta… Tudo dependia do CNPq. Nem a RMIT, nem a Australian Centre (nosso parceiro) sabiam quando conseguiríamos mais informação. Só nos restava esperar.

Dia 29 de setembro (vocês lembram que o meu prazo era dia 30? POIS É) recebemos um e-mail com a notícia de que o CNPq havia aprovado o programa e em anexo, a descrição das atividades e período de duração. O que eles chamam de “estágio coletivo” é na verdade um conjunto de workshops voltados a demandas do mercado de trabalho. Lendo a descrição, voltei a ficar animada! São tantas atividades relacionadas à design thinking, habilidade de comunicação escrita, sustentabilidade, tecnologia etc… Áreas não necessariamente intrínsecas ao design mas à prática profissional no geral. Eu encaro esse programa como uma oportunidade de investimento à minha prática, uma vez que acredito no design como ferramenta para melhorar o mundo e não há como fazer diferença ignorando o contexto.

Decidida em fazer esse programa, o problema bate à porta: O CNPq exige uma série de documentos (relatório de atividades desenvolvidas até o momento – histórico escolar –, carta de aceite da instituição estrangeira, plano de trabalho e aceite da instituição no Brasil­) e eu tinha o prazo de um dia para conseguir TUDO. Os três primeiros documentos consegui tranquilamente ou por troca de e-mails com a RMIT ou pelo site da mesma, o problema maior foi o aceite da UEMG. Não que a UEMG tenha me dificultado esse documento, mas o prazo de um dia (um dia em horas de trabalho, convenhamos) e um fuso de 13 horas, sim. Mandei um e-mail desesperada para o nosso coordenador de intercâmbio, Marcelo Amianti, explicando toda a situação e urgência com os documentos do estágio anexados e deixei minha mãe de alerta para me ajudar com a comunicação que eu precisasse. Ainda assim tentei ligar eu mesma pro Centro de Extensão, uma tentativa frustrada de falar com ele. Obviamente, passei a noite acordada trocando e-mails e mensagens com todo mundo que pudesse me ajudar a conseguir essa MARAVILHOSA carta de aceite. Lhes pouparei dos detalhes sórdidos de como foi meu dia seguinte à essa ótima noite de stress. No final das contas, o Marcelo foi a pessoa mais querida do mundo e conseguiu a carta assinada pra mim (quando já eram 7h da manhã aqui), depois de eu ter deixado minha mãe louca. Com a carta no meu e-mail, a primeira coisa que fiz foi mandar tudo correndo pro CNPq antes que meu prazo acabasse (sim, a plataforma se recusava a abrir).

E cá estou eu, desde então, esperando. Sinceramente, não faço ideia se deu tudo certo, se a carta estava redigida de acordo com o que o CNPq pedia… Mas eu fiz o que eu pude e estou feliz com todo o meu esforço e com o suporte que a UEMG me deu dentro do que foi possível, nesse limite louco de tempo. Por mais que eu tente não ficar ansiosa, não tem como com todo mundo que eu conheço me perguntando “se eu já sei quando voltarei” (!!!). Eu só sei que voltando em dezembro ou janeiro, tudo que eu quero é ter minha vida decidida o mais rápido possível!

Dica para os colegas intercambistas: Tenham muita MUITA paciência com o CNPq.

Eu avisei.