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Pride!

Pride!

No dia 12 de junho, um homem de 29 anos abriu fogo dentro da boate Pulse em Orlando, matando 50 membros da comunidade LGBTQ. Foi o pior atentado do gênero na história do país, o que instantaneamente culminou em um clima de comoção nacional entre os americanos.

Em frente ao Stonewall Inn, bar onde aconteceram os riots que inauguraram a luta pelos direitos civis dos homossexuais na década de 1960 as pessoas colocaram flores e prestaram homenagens ás vítimas. O trânsito na rua ficou impedido por dias, e haviam policiais armados em todo o entorno do Gay Liberation Monument, local onde eu passava todos os dias para ir trabalhar.

Na terça-feira seguinte a tragédia, aconteceu uma vigília, que reuniu centenas de pessoas também em frente ao Stonewall. Em meio a muitas politicagens e algumas celebridades tentando se promover (Nick Jonas, o que você estava fazendo?), o nome de todas as vítimas foram lidos, e houve muitos gritos que pediam “gun control”. A comoção da população era evidente, já que, independente da orientação sexual, é inegável que muitos americanos sensatos se preocupam com o acesso facilitado que a população civil dispõe em relação às armas de fogo, tornando os mass shootings eventos recorrentes nos noticiários daqui.

Nossos pensamentos estão com Orlando

Nossos pensamentos estão com Orlando

Pessoas deixam flores em frente ao Stonnewall Inn

Pessoas deixam flores em frente ao Stonnewall Inn

Homenagem no Gay Liberation Monument

Homenagem no Gay Liberation Monument

E foi em meio a essa clima de tristeza e empatia que a semana do orgulho gay teve início, prometendo uma Pride March que bateria todos os recordes de público. Eu, que sou lésbica, e que infelizmente havia perdido a Dyke March no sábado, estava animada para ver a galera na rua e  participar do evento, que realmente parecia movimentar Manhattan de ponta a ponta.

No domingo, a quinta avenida foi fechada por grades, e logo pela manhã, quando descemos para a rua para participar do evento, começaram as decepções.

Muitos balões, bandeiras do arco íris e pessoas fantasiadas… Mas a marcha em si, é completamente fechada às manifestações espontâneas. Na rua, desfilam empresas (sim, empresas), muitas empresas e algumas outras poucas entidades que se organizam previamente para estarem ali. O público, assiste tudo da calçada, e fica aplaudindo as propagandas e celebridades que passam em carros alegóricos. Ainda um pouco perdidos e sem entender bem como se dava organização da parada, perguntamos a um policial, e escutamos que o evento não era aberto para o público.

Ao tentarmos burlar as grades para desfilar, eu e um amigo fomos expulsos por dois grupos de empresas que tinham os seus respectivos blocos na parada: NBA e Delta Airlines. Escutamos de um funcionário da Delta: “If you aren’t with Delta, you can’t be here. You have to leave”, e impedidos também de retornar à calçada, terminamos o desfile acompanhado o bloco de eleitores da Hillary Clinton (que também estava lá se vendendo, é claro). Parece engraçado, mas todo o processo foi na verdade bem deprimente e decepcionante.

De penetra

De penetra

Pride March

Pride March

Eu, por ser homossexual, me entristeci bastante ao perceber que a Pride March daqui é mais um evento corporativo do que qualquer outra coisa. O luto pelas vítimas de Orlando, a luta pelo fim da homofobia, transfobia ou qualquer outra causa que beneficie a comunidade LGBTQ, ficaram evidentemente eclipsados pela presença exarcebada de logotipos, brindes e pela necessidade de vender.