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Primeiras impressões do intercâmbio: becoming a California girl

Primeiras impressões do intercâmbio: becoming a California girl

Bem, olá. Meu nome é Carolina, mas todo mundo – literalmente, todo mundo – me chama de Carol. Tenho 20 aninhos, o que faz de mim uma “novinha” no país em que me encontro. Nasci numa cidade no interior do Estado do Rio de Janeiro, chamada Barra do Piraí, mas chamo BH de “lar” há três anos e meio. O Design entrou na minha vida por meio de duas influências. Uma foi meu irmão mais velho, que pensava em seguir a carreira de designer antes de a vida guiá-lo para a Engenharia Mecânica, e eu, como gostava muito de desenhar e de analisar cores, formas e demais informações visuais, pensava que este poderia ser o caminho. Outra foi a psicóloga que me acompanhou durante o processo de orientação vocacional durante, mais ou menos, dois meses no meu Ensino Médio. Foi nesse período que eu busquei conhecer mais profundamente o mundo do Design. Em 2013 comecei meus estudos na Escola de Design da UEMG. Eu tinha muitos planos e ideias sobre o que fazer antes de me inscrever no programa Ciências Sem Fronteiras, mas mais uma vez duas influências me levaram para este caminho. Uma foi minhas queridas amigas de turma. Elas eram as mais animadas da vida quanto a possibilidade de fazer um intercâmbio, e eu pensei “Por que esperar mais um ano se eu posso me inscrever agora? Não vou perder nada mesmo!”. Outra influência foi a palestra de um membro da ATN – que é a empresa parceira do programa na Austrália. O palestrante reforçou que esta é uma oportunidade única, então, sem pensar mais, eu resolvi agarrá-la e a vida me trouxe para a terra do Uncle Sam, os Estados Unidos. Era a primeira vez que eu estava viajando para fora do país e, como se isso não bastasse, era a primeira vez que eu estava viajando cem por cento sozinha. Meu voo saiu de Belo Horizonte com escala apenas em Miami e eu não combinei de encontrar com ninguém no trajeto. Era apenas eu, eu mesma e mil borboletas no estômago. Porém, para meu conforto, uma jovem mexicana – Quem sou eu pra chamar alguém de jovem? – sentou ao meu lado no voo e ela, após um ano de intercâmbio no Brasil, estava voltando para seu país. Ouvir sua experiência foi muito divertido e calmante.

Estados Unidos dando boas vindas com o meu lema favorito

Estados Unidos dando boas vindas com o meu lema favorito

Após aproximadamente oito horas, chegamos em Miami e, ao contrário do que muitos dizem, passar pelo processo da burocracia americana foi bem tranquilo. Eu e a moça mexicana esperamos juntas pelo segundo voo de cada com muita conversa até que eu segui meu caminho de novo sozinha. Sempre tive a ideia de que os americanos em geral eram frios e distantes, mas para a minha surpresa a primeira prova de que eu estava enganada veio assim que eu entrei no avião. Perdidinha da Silva com as filas desorganizadas dos voos domésticos, quando entrei na aeronave muita gente já estava instalada e eu, que já sou atrapalhada por natureza, não conseguia colocar a mala de mão no bagageiro. Eis que um senhor muito simpático me oferece ajuda e eu fiquei muito agradecida, porém pensando que ele era uma exceção. Após seis horas, chegar em Los Angeles parecia um sonho. Ver o letreiro LAX de pertinho nem parecia verdade. Logo no aeroporto eu encontrei uma colega de edital e que mais tarde se tornou minha roomate e amiga. Durante os primeiros dias éramos duas atrapalhadas, andando juntas para cima e para baixo, inseguras quanto a falar – e entender – inglês por aí. Mas logo na semana seguinte nossas aulas começaram e o idioma foi se tornando natural no nosso dia-a-dia. Nós e mais quatro intercambistas fizemos seis semanas de aulas do American Language Program, o que foi a melhor coisa para nós. Estas aulas nos permitiram conhecer e nos acostumarmos com o campus antes do Fall Semester, entrarmos no estilo e ritmo das aulas americanas, e aprendermos algumas exigências dos trabalhos acadêmicos por aqui. Tudo isso de uma maneira leve e atenciosa, nos preparando para as cobranças mais rígidas do Fall.

Cal State Front: Foto clássica para todos que estudam aqui

Cal State Front: Foto clássica para todos que estudam aqui

 

Eu e minha professora de Reading durante a Student Conference, na qual ela me inscreveu para apresentar um trabalho de Literatura

Eu e minha professora de Reading durante a Student Conference, na qual ela me inscreveu para apresentar um trabalho de Literatura

Desde o início percebemos que é mais que comum por aqui ter mil homeworks todos os dias. De segunda a quinta ralávamos bastante e a primeira impressão que tivemos foi a de choque. Além das muitas tarefas, pontualidade é algo essencial. E a comida? Mãe, tem como me mandar umas marmitinhas? A comida aqui é uma loucura: ou sem sal, ou doce, ou muito – tipo muito mesmo – apimentada, ou hamburguer e batatas fritas todos os dias. Mesmo com a excitação de estar morando em um outro país, ser inserido em outra cultura parecia um tanto duro. Entretanto, outra coisa nos marcou bastante: a extrema educação de todos – sim, todos. Lembram que eu disse que pensava que os americanos eram bem distantes e frios? Bem, eles até são bem reservados, mas a maioria é muito simpática. Raramente alguém te tratará com grosseria aqui. Há quem diga que esta região mais ao Sul da Califórnia seja assim por possuir influências latinas, mas o fato é que não há um lugar que você vá e não vai encontrar alguém que diga “Ei, como você está?” com um belo sorriso no rosto.

I know a place were the grass is really greener. Warm, wet and wild. There must be something in the water...

I know a place where the grass is really greener. Warm, wet and wild. There must be something in the water…

 

Apesar dos mil homeworks, sempre sobra um tempinho para turistar. Quem diria que um dia eu seria uma patricinha de Bervely Hills?

Apesar dos mil homeworks, sempre sobra um tempinho para turistar. Quem diria que um dia eu seria uma patricinha de Beverly Hills?