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Sobre a maior (e única) mudança da minha vida

Sobre a maior (e única) mudança da minha vida

Até hoje eu não sei como eu dei conta de arrumar tanta coisa em tão pouco tempo. Primeiro, eu já comecei atrasada… Recebi, no meio de dezembro, a notícia de que tinha sido selecionada para o intercâmbio na Austrália e que precisava chegar aqui em FEVEREIRO. Não precisa começar a fazer contas, eu te digo: foram apenas dois meses pra me preparar. Adicione natal, festas de fim de ano e uma viagem de família já programada (e comprada) na equação e imagine o meu desespero (!!!). Sério, confie em mim quando eu digo que se eu (vulgo a pessoa mais ansiosa e enrolada do mundo) consegui fazer dar certo, você também consegue.

Há uma série de itens necessários para passar pela imigração e conseguir embarcar no seu vôo, por isso, você deve dar prioridade máxima a eles na listinha de “Coisas a fazer antes do intercâmbio”. Vamos por partes:

  1. Passaporte:

Esse é o documento principal do seu intercâmbio, por isso providencie o seu o mais cedo possível. Você precisa dele em TODAS as etapas do processo para sua vinda, assim como, ele servirá como sua identificação legal por aqui. É recomendado que você tire duas cópias (autenticadas) dele e deixe uma no Brasil com sua família, pra caso você perca o original ou seja roubado. Mas adivinhem: Eu não consegui tempo para tirar as cópias e agora o meu é praticamente parte do meu corpo.

  1. Visto:

O requerimento do visto australiano é feito pela internet. Com o auxílio do meu parceiro, a Australian Centre (empresa de intercâmbio que gerencia e auxilia todo o processo junto ao CNPQ), preenchi um formulário com dados pessoais e tive um (quase) ataque cardíaco ao descobrir que precisava pagar uma quantia de aproximadamente AU$500 DÓLARES. Esse valor precisa ser pago através de um cartão internacional e não é reembolsado. Depois disso, você ainda precisa fazer um exame médico que comprove que você está apto a atravessar os oceanos e chegar inteiro na Austrália. É um exame rápido: clínico e de análise de urina (e dependendo do médico, também de sangue) que só pode ser feito com clínicas cadastradas pelo governo Australiano. Tem apenas uma em Beagá, então sugiro que assim que você tenha dado o início no processo do visto, tente agendar um horário.

  1. Passagens:

Se você leu o edital, sabe que nós recebemos o Auxílio Deslocamento (no início e no final do intercâmbio) para a compra das passagens. Você é responsável por comprar suas passagens, ou seja, tem a liberdade de escolher datas, horários, companhias etc. Eu escolhi comprar através da Australian Centre, mas só porque eu não tinha muito tempo para fazer orçamento por conta própria. Não há necessidade de comprar passagem de volta nesse momento, mas saiba que a imigração australiana escolhe uma entre infinitas pessoas para questionar sobre (e como eu tenho a maior sorte de todas, resolvi não arriscar).

  1. Cartão de Vacina:

A única exigência da Austrália em relação às vacinas é que você tenha sido vacinado contra a Febre Amarela. Para comprovar isso, você precisa da Carteira de Vacinação Internacional da Anvisa. O processo é muito tranquilo: Depois de tomar a vacina (distribuída gratuitamente em postos de saúde), você leva seu registro da vacina junto com seu passaporte até a Anvisa e eles te dão a sua carteira internacional na hora. A moça que me atendeu lá foi especialmente atenciosa e me sugeriu tomar mais algumas, mesmo que não fosse necessário para a entrada no país.

Resolvidas todas as coisas que poderiam atrapalhar a sua entrada no país, restam três coisas para se preocupar antes de ir embora: Como levar dinheiro pra lá, arrumar a mala e se despedir de todo mundo e da sua cidade. </3

Como mandar dinheiro do Brasil pro seu país de destino:

Desses três tópicos, esse foi o último que eu fiz, já que eu não fazia a MÍNIMA ideia de como era todo o processo. Eu recebi os primeiros auxílios do programa enquanto estava no Brasil e precisava enviar o que eu ainda não havia usado para minha conta bancária na Austrália (que consegui abrir em 5 minutos pela internet). Pesquisando e conversando com o pessoal do meu edital, descobri que existiam várias maneiras, além de, obviamente, trazer o dinheiro em espécie.

Uma das coisas que eu mais tinha dúvida era o por quê de abrir uma conta aqui enquanto eu tinha o cartão BB Americas. O cartão BB Americas é um cartão Mastercard de débito pré-pago que recebemos um pouco antes da viagem com o intuito de usarmos aqui. O benefício de abrir uma conta aqui (no caso, eu optei pelo Commonwealth) é que, além de ser muito fácil e o atendimento no banco ser (pasmem) excelente, você tem controle de toda a movimentação da sua conta através de um aplicativo no celular. O aplicativo permite que você veja seu saldo, suas movimentações, transfira dinheiro entre conta corrente e poupança e, a melhor parte, transfira dinheiro para uma outra pessoa (que também tenha conta no Commonwealth) apenas com o número do celular dela. Dentre outras funções, esse aplicativo torna a vida muito mais fácil e acaba com idas ao banco pra resolver qualquer coisinha.

Para trazer meu dinheiro pra cá, eu acabei optando pelo SWIFT que é, basicamente, uma transferência internacional em que você precisa pagar uma taxa de custo do serviço e a cotação do dólar (ou da moeda do seu país de destino) no dia (além de taxas que o banco estrangeiro possa cobrar, no meu caso foi AU$11). O custo varia de acordo com cada Casa de Câmbio e Banco, e algumas até oferecem descontos para participantes do CsF. Por esse método, demora cerca de 48 horas para o dinheiro entrar na sua conta. A minha recomendação é de que você pesquise em várias casas de câmbio e faça isso com a maior antecedência possível.

Além disso, eu trouxe comigo uma quantia em espécie, para os gastos das primeiras semanas (alimentação, acomodação temporária e quaisquer outros). É importante que você esteja prevenido e não corra o risco de ficar sem suporte financeiro por problemas com o banco ou com cartões de crédito internacional.

Arrumando a mala

Só não trouxe mais café porque não coube

Só não trouxe mais café porque não coube

Arrumar a mala é uma atividade que começa muito antes de realmente colocar suas coisas na mala. Você tem que pensar em tudo que você precisa levar, tudo que você quer levar e, inclusive, no que você está ok em deixar pra trás. Além de considerer clima, hábitos, ocasiões e, inclusive, as regras de importação (que estão disponíveis no site do governo australiano).

Uma ferramenta incrível (e que eu amo) que me ajudou muito na minha organização foi fazer listas. Eu sei que nem sempre vai funcionar pra todo mundo como funciona pra mim. O segredo é achar o seu próprio jeito de se organizar e fazer com que funcione. Vou compartilhar com vocês uma lista das coisas que eu trouxe na minha mala:

  • Pasta com documentos
  • Remédios: anticoncepcional, homeopático, analgésicos e anti alérgicos
  • Roupas (tanto casuais, quanto mais arrumadinhas)
  • Roupa íntima
  • Roupa de banho
  • Pijamas
  • Toalha
  • Sapatos: tênis, sapatilha, rasteiras, botinhas e salto (só descobri aqui que saltos seriam totalmente desnecessários)
  • Acessórios
  • Bolsas
  • Cosméticos: Shampoo, pasta e escova de dente, desodorante, creme etc
  • Roupa de cama
  • Necessérie com maquiagem e esmaltes
  • Livros (e alguns diários e agendas)
  • Estojo com materiais de escritório
  • Caderno com mensagens de despedida
  • Comidinhas: paçoquinha, bombons, café em pó (com filtro e suporte)

Ufa! Espero não ter me esquecido de nada… Depois disso tudo feito e organizado, você pode e deve (!!!) dedicar o resto do seu tempo às despedidas.

Me despedindo de Beagá à la Letícia Sabatella

Me despedindo de Beagá à la Letícia Sabatella

Passe tempo com sua família, com seus amigos e com sua cidade e coma o máximo de pães de queijo que puder. Não há Skype no mundo que substitua a convivência de verdade.