Pages Menu
Sobre distância

Sobre distância

(Vou avisar que este não é um post muito feliz)

Eu nunca morei de verdade com meus pais; eu fui criada pela minha tia, e por ter uma diferença de idade grande com minhas irmãs mais velhas, que também foram estudar em outras cidades, tive de aprender a lidar com o fato de nem sempre ter algum familiar próximo por perto.

Isso me ajudou a desenvolver um certo senso de desapego, de independência, que me ajudaram na mudança da minha cidade natal para Belo Horizonte e de lá para Nottingham. (Sete meses já passaram, mas ainda soa estranho se referir ao Brasil como “lá”).

No entanto, acho que isso também influenciou no fato de eu conseguir passar muito tempo “no meu canto”, e não mandar notícias de vida muito frequentemente, o que deve deixar algumas pessoas preocupadas (e que também me afastou de algumas pessoas).

Eu devia ter aprendido desde cedo por causa do meu contexto familiar, mas a verdade é que eu não sei lidar com distâncias. No final do ano passado, mandei uma caixa com várias lembranças para familiares e amigos do Brasil. Dois meses depois eu recebi agradecimentos, em dias diferentes. Eu fiquei feliz de parecer ter diminuído um pouco a distância, mas eu sinto que ela aumentou nos últimos meses, em grande parte pela minha natureza introvertida.

O meu aniversário, por exemplo, que foi recente, pareceu incompleto. Eu passei o dia com meus amigos e meu namorado (o que eu menos esperava desse intercâmbio), e eles me fizeram sentir muito querida, amada; mas é inevitável pensar nas pessoas que não estão fisicamente presentes –  e mais ainda naquelas que eu considero e que não se lembraram de mim.

Eu penso que consegui me adaptar melhor à minha vida aqui; a presença dos meus amigos do CsF me faz uma grande diferença, assim como o suporte que sinto ter da minha universidade, mas não posso dizer que me sinto totalmente em casa. Esse não é o meu país, essa não é a minha cultura. Eu queria ter um pouco mais do Brasil aqui.

Uma musiquinha mais feliz pra compensar o tom do post

Uma musiquinha mais feliz pra compensar o tom do post