Pages Menu
Sobre os estereótipos

Sobre os estereótipos

Apesar da enorme quantidade de informação que temos hoje em dia sobre esse mundão afora, nem sempre temos ideias certas sobre as outras culturas. Junto da curiosidade a respeito de um país estranho, levamos sempre um pouquinho dos estereótipos e preconceitos.

E eu vim parar justamente num prato cheio dos estereótipos: a Itália. Apesar de ser uma cultura muito próxima à nossa, ainda temos muitas impressões erradas (ou nem tanto) sobre os italianos.

A pergunta que não quer calar: eles tomam banho? Depende… O pessoal mais jovem é ok. Apesar de perceber que o bidet substitui bastante o chuveiro aqui em casa (desculpa a queimação de filme). Mas pegar busão no calor chega a ser um risco de vida. As vezes me pego criando teorias de como alguém pode ficar tão podre. Nem se eu capinar cinco lotes, sem desodorante e a três dias sem tomar banho e com a mesma roupa eu não chego nesse nível de catinga assassina! Sim! Eca!

Os italianos falam alto e com as mãos? Não tanto como imaginamos. Perto de outros europeus eles falam bem alto (e não queira “emputecer” uma italiana!). Mas, cá entre nós, nada comparado aos brasileiros. Nós tivemos de quem puxar. E eles podem jurar que não, mas gesticulam muito. Muito mesmo!

Sophia Loren flagrada fazendo a coxinha

Sophia Loren flagrada fazendo a coxinha

E não podia esquecer da pizza. No cotidiano aqui não se come tanta pizza. Pelo menos aqui em Firenze. Mas a pasta aqui é prato base como o nosso arroz e feijão. Existem um milhão de formatos e tipos de massa, e mais uma infinita variedade de molhos e recheios. E eu já não consigo ficar um dia sem. E ainda sobre comida, isso é uma coisa da qual eles têm muito orgulho. E não é pra menos. Seria estranho se com esses produtos nacionais incríveis eles não estampassem em toda embalagem um “100% italiano”. No começo é estranho, mas interessante. E até acho que falta um pouco desse orgulho em nós porque a falta me fez perceber o quanto nossa cozinha é maravilhosa.

Os italianos são elegantes? Sim, montados. Aqui todos andam produzidos e maquiados. Mas nem em todos os casos isso é uma coisa boa. E o estereótipo mais assustadoramente verdadeiro é que os italianos dirigem mal. Eles são uns grandes barbeiros! E acho que já virou uma lógica estranha, porque às vezes quase dá morte, mas cada indivíduo xinga uma blasfêmia e vida que segue… Carro batido e arranhado aqui é normal.

Quando cheguei logo vi que algumas coisas eram bem diferentes do que eu imaginei e me divirto até hoje. E para eles também a minha imagem não é bem o que se espera de uma brasileira. Acho que a minha cor da pele –branquela azeda- foi a coisa mais estranha para eles absorverem. É, eles estão bem por fora! Todo mundo me pergunta se Belo Horizonte fica no litoral. E quando explico que não, eles admitem que não faz sentido, mas que só conseguem imaginar o Brasil com praias e pessoas bronzeadas. Um grande Rio de Janeiro!

Outro estereótipo tabu que me incomodava no início era o medo de dizer que sou brasileira e me julgarem por mulher “fácil” e acabar enfrentando situações desagradáveis. Acho que praticamente toda menina já teve esse temor depois de ouvir histórias de outras mulheres que passaram por situações embaraçosas no exterior. Mas felizmente, nunca tive o azar de esbarrar com esse tipo de gente ignorante por aqui. Acho que no fim, o segredo é sempre fugir dos babacas, espécie que povoa o mundo inteiro.

Afinal, a experiência do intercâmbio é enriquecedora por isso: te faz rever conceitos, perder preconceitos e trocar ideias novas com pessoas diferentes de você: tanto nativos do país quanto outros estrangeiros, ou até mesmo brasileiros de regiões diferentes (e você verá o quão diferentes podem ser) da sua.