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Spring break dream

Spring break dream

Aquelas feriazinhas no meio do semestre que você sempre sonhou.

Diferente do Brasil, o ano letivo aqui na Inglaterra é interrompido três vezes ao invés de duas. Alguns meses após o início das aulas, que geralmente se dá em Setembro/Outubro, temos o Christmas Break, uma mini férias de três semanas para o Natal e Ano Novo. Em Março/Abril temos o Spring ou Easter Break, que são duas semanas livres para a Páscoa. Finalmente, após o término do ano letivo temos o Summer Holiday, umas big férias de quatro meses, de Maio a Agosto. Sem dúvida, essa distribuição contribui para o ano ser menos maçante e deixa os alunos mais leves e dispostos.

No meu caso, na Middlesex University, o Spring Break teria quase 20 dias! Uma ótima oportunidade pra montar um roteiro bacana e viajar pela Europa. Logo que as datas foram confirmadas, me juntei com três amigos e compramos as passagens. Como fizemos tudo com antecedência, os preços saíram tranquilos e o total foi um pouquinho mais que 200 libras para seis trechos de avião, uma média de 35 pounds por passagem.

Em relação a hospedagem, como eram muitos dias, dormir em hostels iria sair muito caro no final, e então corremos atrás de couchsurfing e de amigos/famílias que poderiam nos receber. Para facilitar essas hospedagens, dividimos nosso grupo em duas duplas de modo que ainda viajaríamos juntos, mas ficaríamos hospedados em lugares diferentes. O esquema funcionou muito bem e consegui evitar hostels em vários destinos.

Resolvido isso, os únicos gastos (oh, doce ilusão) seriam os custos diários de alimentação, transporte e lazer. Pra controlar isso estabeleci um limite de 25 euros por dia. Foi apertado, mas quase deu! hahaha! Durante a viagem apareceram outros gastos maiores, mas em relação ao dia- a-dia, consegui me manter nessa faixa.

Depois de todos os preparos, arrumação de mala e uma noite de pouco sono. Pegamos um avião com destino a Marrakesh.

Marrocos

Pra ser sincero, nunca achei que visitaria o Marrocos, na verdade nunca tinha pensado na possibilidade. Quando chegamos na cidade, fiquei maravilhado e perplexo. Era caótico, no sentido mais profundo da palavra. Os carros, as motos, bicicletas, pedestres, vendedores, músicos e etc tudo junto e misturado num ritmo que a gente só vê em filme sobre a Índia. Mas ao mesmo tempo era muito bonito e muito diferente. Desde a arquitetura, ao clima e às pessoas. Gostei demais de lá, e quero muito voltar em uma próxima oportunidade. Para os dias em Marrocos, fechamos um pacote com o hostel que dava direito a um passeio de dois dias até o Sahara. Foi uma experiência incrível, e deu pra ver de perto a cultura e modo de vida dos locais.

Marrocos, Mesquita Kutubia em Marrakesh, visita a Ouarzazate, a caminho do Sahara e passeio de camelo na entrada do deserto do Sahara

Marrocos, Mesquita Kutubia em Marrakesh, visita a Ouarzazate, a caminho do Sahara e passeio de camelo na entrada do deserto do Sahara

Madrid

Saindo da África, fomos em direção a Madrid, capital da Espanha. A cidade é linda e tem uns parques sensacionais. Passamos a maior parte do tempo curtindo o sol deitado na grama de algum desses parques. Depois de vários meses no clima frio e chuvoso de Londres, o calor e o sol foram mais que bem-vindos. Claro, tiramos um dia pra visitar o Museu do Prado e o Reina Sofia, ambos extraordinários! E grátis para estudantes. Como não amar?

Madrid, dia ensolarado no Parque do Bom Retiro e crepúsculo no Templo de Debod

Madrid, dia ensolarado no Parque do Bom Retiro e crepúsculo no Templo de Debod

Lisboa

O próximo destino foi Lisboa, mas antes de conhecer mesmo a cidade, alugamos um carro e descemos para as praias de Algarve. Foram três dias maravilhosos, pra matar a saudade mineira de praia. Depois, voltamos pra capital e passeamos por lá também. Achei a cidade interessante, mas o que me conquistou de verdade foram a culinária deliciosa e os arredores, Sesimbra e Arrábida.

Portugal, em algum lugar do litoral entre Lisboa e Lagos e Praia da Dona Maria

Portugal, em algum lugar do litoral entre Lisboa e Lagos e Praia da Dona Maria

Barcelona

Como um bom designer, cheguei com muita expectativa na cidade de Gaudí e, sem dúvida, foram todas superadas. A cidade é fantástica por si só, mas somado com as obras dele fica imbatível. Passamos pelas principais obras, mas só entramos mesmo na Casa Batlló. O preço era salgado, mas valeu cada centavo. Pra deixar tudo mais legal ainda, conseguimos, por um golpe de sorte, ingressos para um jogo do Barcelona no Camp Nou no dia seguinte. Definitivamente, uma cidade fascinante.

Barcelona, detalhe da fachada e detalhe do lustre da sala de jantar da casa Batlló

Barcelona, detalhe da fachada e detalhe do lustre da sala de jantar da casa Batlló

Camp Nou ao entardecer, Barcelona 4 x 0 Almeria

Camp Nou ao entardecer, Barcelona 4 x 0 Almeria

Nice

Para fechar bem a viagem, terminamos na Côte d’Azur, ou a Costa Azul do sul da França. Dormimos em Nice, como tudo é pertinho, deu pra passear nos arredores também. A cidade antiga é bem pequena e tem as ruazinhas e prédios com o charme francês, as praias deixam a desejar no quesito conforto, já que são de pedras e não de areia, mas são muito lindas. De lá fizemos um bate e volta em Mônaco e, pra deixar curto, lá eu entendi o significado da palavra ostentação. De Nice pegamos um avião de volta pra Londres, pra enfrentar as últimas semanas de aulas e trabalhos.

Praia principal de Nice, detalhe da fachada de um dos prédios da cidade velha e entrada do Cassino de Montecarlo, Mônaco

Praia principal de Nice, detalhe da fachada de um dos prédios da cidade velha e entrada do Cassino de Montecarlo, Mônaco

Foram 20 dias intensos que valeram demais o esforço e o dinheiro. Voltei bem maior, mais ciente de outras culturas e mais preparado pra lidar com elas. É impressionante o quanto viajar te transforma e abre a mente. Hoje, depois dessa e de outras viagens vejo o mundo com outros olhos. Definitivamente, em um intercâmbio como esse, se abrir pra novas culturas e viajar de forma responsável é tão importante quanto se dedicar com excelência aos estudos e trabalhos.

Tenho a estranha sensação de que o mundo se tornou, ao mesmo tempo, muito maior e muito menor pra mim. Maior porque hoje enxergo as riquezas, as diferenças e as possibilidades de modo muito mais amplo. E menor, porque tudo parece mais acessível e mais próximo, como que se de repente tudo fosse ali do lado.