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Start me up

Start me up

Meu nome é Fernando. Sou estudante do 7º período de Design Gráfico na UEMG e estou há nove meses em Cambridge, na Inglaterra, fazendo o mesmo curso.

Foram meses e meses de processo. Um longo e arrastado tempo cumprindo uma série de demandas, tudo feito com prazo determinado e em paralelo à vida que corria. Até que, com uma sofrida semana de atraso e após a oferta da vaga na universidade de destino, veio a confirmação do CNPq: eu iria estudar por um ano no Reino Unido.

Passada a euforia da notícia, mais e mais tarefas a cumprir no curto tempo antes da viagem. Tirar o visto, comprar passagens, fazer seguro-saúde, resolver a acomodação na Inglaterra, decidir as disciplinas a se cursar por lá, trocar dinheiro; tudo isso em meio ao fim do semestre, Natal, Ano Novo e a saída do estágio. Tudo parecia tão perto e tão distante; tão curto o tempo, tanto a se fazer. Mas o pote de ouro estava ali, na curva do ano-novo que prometia ser incrível. E chegou.

Já na primeira semana a neve derreteu.

Já na primeira semana a neve derreteu.

No fim de janeiro de 2013, cheguei à Cambridge cheio de expectativas. O primeiro choque era óbvio e já estava previsto: o clima. Tudo estava coberto de neve. Mas aquela adversidade parecia pequena diante do mundo de possibilidades que se apresentava.

A universidade ofereceu, já nos primeiros dias, uma semana de palestras e atividades para que os alunos novatos pudessem conhecer melhor como ela funciona. Tudo é bem diferente do que estamos acostumados no Brasil. A começar pela infra-estrutura, completíssima, com laboratórios variados, computadores de última geração, uma biblioteca com muitos títulos, tudo em prédios novos ou muito bem conservados, interligados e que favorecem a convivência entre os alunos. O sistema de ensino também é diferente: são poucas aulas por semana – e no semestre como um todo -, mas espera-se que o aluno estude sozinho pelo menos por 12 horas semanais. Para isso, são reservados horários durante a semana para que o aluno possa usar os espaços adequados para as disciplinas que cursa, incluindo computadores, impressoras e laboratórios. O sistema de notas também vai de 0 a 100, mas a nota de corte é 40 e 60 é considerado uma ótima nota. Os melhores alunos chegam apenas perto de 80.

A entrada principal da universidade.

A entrada principal da universidade.

Além de todas essas diferenças dentro de sala de aula, também fora tudo seria diferente. Eu iria morar sozinho pela primeira vez, e isso era excitante e assustador ao mesmo tempo. Fui alocado num quarto com banheiro privativo numa moradia universitária que fica dentro do campus. É um prédio de cinco andares que abriga mais de 250 estudantes, cada um com seu quarto e banheiro, mas compartilhando cozinhas que são utilizadas por cinco a oito pessoas. Fiquei feliz com o lugar, acho que tem o nível certo de privacidade e socialização. Dali pra frente, eu iria cuidar das minhas roupas, da minha comida, da minha vida.

A moradia como estava quando cheguei.

A moradia como estava quando cheguei.

Eram tantas novidades, tantas pessoas a se conhecer, tantas coisas para se acostumar que, quando a primeira semana terminou, parecia que eu já estava aqui há um mês. Mas aquilo era só o começo de tudo, e a partir dali o tempo já não passaria tão devagar assim.