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Um novo país, um novo dia

Um novo país, um novo dia

Neste post falarei um pouco da minha rotina como intercambista do CsF em Chicago. Minha adaptação não está sendo muito difícil. Talvez, por termos muito contato com a cultura americana através dos meios de comunicação, as coisas não são tão estranhas para nós. Em casa, morando com três meninas e dividindo o banheiro com uma delas, a divisão de tarefas domésticas não é tão estabelecida. Nós revezamos a compra de produtos relacionados à higiene e usamos o bom senso quanto à limpeza. Quando vemos que algo está sujo, limpamos cada um por conta própria, no momento que cada qual acha mais apropriado. Quanto a interação entre roommates, às vezes trocamos algumas palavras, mas a maioria fica em seu quarto com a porta fechada. Talvez, com o tempo, as coisas mudam e haja mais interação entre nós.

Antes de vir, ficava imaginando como seria o esquema de lavar minhas roupas. Hoje, vejo que é algo muito simples. Quando cheguei aqui, recebi um cartão magnético que deveria ser carregado com dinheiro, a fim de ser usado na lavanderia do prédio. É preciso comprar dois produtos de lavagem, jogar a roupa na máquina, passar o cartão (U$1.25 para lavar e U$1.00 para secar) e esperar uma hora e meia. Pronto! Roupa seca e pronta para ser usada.

University Center: minha nova casa

University Center: minha nova casa

A questão da alimentação… É onde mora o perigo. Ainda mais nos Estados Unidos, o país do fast food. No prédio em que moro há um refeitório, com uma variedade de comidas (hambúrgueres no estilo McDonnalds, sanduíches ao estilo Subway, pizzas, saladas, comida na chapa, máquinas de refrigerantes, sucos, sorvetes, bolinhos, cookies, etc). A maioria das comidas são muito apimentadas e gordurosas. Uma vez que você entra no refeitório, você tem acesso ilimitado a tudo isso. O meal plan é um plano de alimentação em que o estudante tem direito a uma quantidade de refeições por semana e uma quantidade de flex dollars (dinheiro no cartão magnético de alimentação) para gastar na lojinha de conveniência. Esse meal plan tem a duração de um quarter (três meses, o equivalente a um período acadêmico no Brasil). Eu tenho direito a 15 refeições por semana, U$ 200.00 flex dollars para gastar na lojinha do prédio em que moro e U$ 900.00 flex dollars para gastar no refeitório/loja de conveniência da universidade. Moral da história: aqui, nenhum bolsista passa fome. Todo esse trâmite é feito diretamente entre o Institute of International Education e a instituição, e nós, bolsistas, não temos que correr atrás de nada.

O transporte público de Chicago é excelente. Pegando o CTA (metrô), você vai para qualquer lugar da cidade. Como estou morando no coração da cidade, o Loop, tenho tudo perto de mim. Farmácias, lojas de departamento e restaurantes lotam a rua em que moro. Entre a vizinhança estão importantes pontos turísticos da cidade, como o Art Institute of Chicago, o Millennium Park (onde está o famoso “feijão”) e o Chicago River. À três quarteirões de minha casa fica o College of Computing and Digital Media da DePaul University, onde tenho aulas duas vezes por semana. Uma vez por semana, tenho aula no Lincoln Park Campus (um campus universitário legítimo de filmes americanos), que é afastado do centro da cidade. Para isso, pego o metrô do outro lado da rua em que moro, desço depois de sete estações e saio no campus da universidade, o que deve demorar 15 minutos. No começo do quarter, todos os alunos da DePaul receberam o U-Pass, um passe ilimitado que nos fornece livre acesso ao metrô e ônibus. Mais uma vez, nós, bolsistas, não tivemos que correr atrás desse benefício, uma vez que foi tudo arranjado entre IIE e a universidade.

Não poderia querer vizinhança melhor

Não poderia querer vizinhança melhor

O processo de obtenção de seguro de saúde, importantíssimo para qualquer estudante, foi passivo. Faltando uma semana para a viagem, recebi um email da seguradora com todas as informações sobre meu plano. Apólice, carteirinha e formulário de emergência foram enviados, sem que eu precisasse de contratar nenhuma seguradora.

A adaptação acadêmica talvez seja a coisa mais complicada do intercâmbio. A universidade é muito bem equipada e até hoje não vi nada de negativo. Pelo contrário, aqui as coisas acontecem com eficiência e as pessoas realmente se esforçam para fazer um trabalho bem feito. A estrutura da universidade é de altíssimo nível. Além dos prédios onde as aulas acontecem, o campus universitário ainda engloba o DePaul Art Museum, a Catedral St. Vincent de Paul e um enorme centro recreativo com academia, piscina olímpica, quadra de basquete e campo de futebol (americano). O acesso à todos esses locais é gratuito para estudantes. Uma das vantagens de estudar em uma universidade desse tamanho são as oportunidades de realizar inúmeras atividades extracurriculares, como frequentar aulas de dança, integrar um time esportivo ou atividades relacionadas a lazer, sem custo adicional. Isso me faz perceber o enorme abismo entre o nosso país e aqui.

Aqui, os alunos gostam de disponibilizar o tempo para atividades universitárias. Há um espírito de comunidade na qual todos só têm a ganhar, mesmo que muito deles sejam voluntários. Cartazes convidativos para ir à um museu, um jogo ou uma noite de estudos, mostram como os alunos tomam iniciativa (sem revanchismo contra a universidade) e fazem acontecer. Outro ponto que percebo e admiro é o quanto as pessoas preservam a integridade da instituição em que estudam, ou o prédio em que moram. Vandalismo em carteiras ou pichações no banheiro? Eu nunca vi isso aqui. Eu sei que esses são detalhes, mas fazem muita diferença na convivência. Além disso, os professores são muito respeitados pelos alunos, como devem ser. Cada um sabe seu lugar e um não tenta passar por cima de outro.

Apesar disso tudo, ainda acho muito difícil fazer contato com americanos. Eles não se abrem muito para amizade, principalmente nas aulas. Raramente escuto alguém conversando durante os intervalos. Diferente do contato que tive com indianos e chineses, que são muito mais receptivos.

Um dos prédios da DePaul University no Lincoln Park Campus

Um dos prédios da DePaul University no Lincoln Park Campus

Como foi possível observar anteriormente, meus gastos com comida, moradia e transporte quase inexistem. Além disso, recebo uma mensalidade de U$700.00 (normalmente bolsistas nos EUA recebem U$300.00, mas como vivo em uma cidade de alto custo há um adicional localidade de U$400.00). Esse dinheiro pode ser gasto de qualquer maneira e não há necessidade de prestar contas à CAPES. As baterias de mensalidades são enviada a cada três meses. O dinheiro da bolsa chegou duas semanas antes da viagem. A seguir, os valores concedidos:

– 3 mensalidades de U$ 700.00

– Auxílio deslocamento de U$ 1,604.00 (destinado à compra da passagem somente de ida)

-Auxílio instalação de U$ 1,320.00

-Auxílio material didático de U$ 1,000.00 (destinado à compra do notebook)

Como vocês podem ver, é uma grande quantidade de dinheiro (U$ 6,024.00 no total), com o qual vive-se tranquilamente durante três meses. Todo o dinheiro que sobrasse da compra do notebook, ou passagem, poderia ficar com o bolsista. É preciso ressaltar que há gastos com textbooks, ou livros acadêmicos, que costumam ser caros, e, futuramente, roupas de inverno.

Uma coisa importante para o bolsista nos Estados Unidos é a carteira consular. Esse documento pode ser facilmente requisitado no consulado brasileiro. Com essa carteira, você substitui o passaporte como documento oficial. Não é uma boa portar passaporte para cima e para baixo, então é aconselhável solicitar esse documento o mais breve possível. Além disso, é sempre bom ter em mente o endereço do consulado brasileiro de sua cidade. Nunca se sabe quando uma situação de emergência pode acontecer.

Um mandamento obrigatório para o bolsista que vive nos Estados Unidos é o seguinte: quem converte, não se diverte. O custo de vida em Chicago é alto para algumas coisas, mas com a bolsa que recebo do CsF quase não tenho gastos. Não hesite em experimentar novas comidas, realizar passeios diferentes ou comprar algo que você realmente precisa por conta da vigente cotação do dólar. Em Chicago, lazer é o que não falta. Uma cidade da música, arquitetura e da arte não poderia ter coisas melhores para oferecer: ótimos festivais de música e cinema, inúmeros museus e lindos parques. A maioria dos museus são pagos (e caros), mas com a identidade de estudante é possível obter muitos descontos em lojas e eventos. Aqui, você nunca vai passar um final de semana sem ter o que fazer. A não ser que você seja menor de 21 anos, como eu. Nas últimas semanas, tenho tido muita dificuldade em encontrar algum bar, clube de jazz, ou boate que aceitem “menores” de idade. A maioria não permite entrada de menores depois de uma certa hora. Isso me tem incomodado muito, uma vez que no Brasil eu não tinha esse problema. Mas acho que com o tempo descobrirei outras coisas para fazer na belíssima Chicago. Se nada der certo no final de semana, posso sempre descer alguns andares e ir para a sala de jogos, onde temos sinuca, ping-pong, air hockey e shuffleboard. Ou então, para a academia ou sala de música. De qualquer maneira, sei que aqui qualquer uma das opções seria uma ótima idéia. Afinal, estou em uma das melhores cidades de se viver.

Miller’s Pub : tradicionais costelas americanas para menores de 21

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