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Um outro Programa de Intercâmbio: Disney Cultural Exchange Program

Um outro Programa de Intercâmbio: Disney Cultural Exchange Program

Olá, meu nome é Lucas Martins e eu participei do programa de intercâmbio chamado Disney Cultural Exchange Program, cujo nome anterior por qual é mais conhecido era International College Program (ICP) em Orlando, Florida.

Esse meu relato não tem como objetivo ser um manual do intercâmbio, mas eu quero dar um panorama superficial das etapas para participar e depois falar das minhas experiências e impressões.

O programa consiste em trabalhar nos parques da Disney nos EUA de dois meses a dois meses e meio entre os meses de Novembro a Fevereiro. O primeiro passo para participar do programa é se inscrever no site da empresa parceira da Disney no Brasil a Students Travel Bureau (STB), a empresa informa a data de uma palestra na qual eles explicam os detalhes do intercâmbio como: os tipos de trabalho disponíveis, o valor médio do salário, as exigências legais para trabalhar no exterior e também o valor médio que é gasto para chegar nos EUA com tudo pronto pra trabalhar que é por volta de 2500 dólares, neste valor o custo mais caro é o das passagens aéreas de ida e volta.

As exigências mínimas incluem pelo menos o segundo período do ensino superior em curso, saber se comunicar em inglês (não são necessários comprovantes, o importante é apenas saber se comunicar) e aceitar as condições de trabalho propostas pela Disney. Pode haver mais exigências mas isso é conversado com a STB. Depois da palestra acontece uma rápida entrevista em inglês com o pessoal da STB na qual eles avaliam mais o perfil dos candidatos do que a fluência no inglês e são requisitados alguns documentos, entre esses documentos está uma carta explicando o porque o candidato quer participar do programa. Também pedem uma lista de prioridade em qual função a pessoa gostaria de trabalhar (mas a decisão final é da Disney…) e um documento de aprovação da universidade.

Caso o candidato seja aprovado nessa entrevista ele é agendado para uma nova entrevista alguns meses depois, dessa vez com os entrevistadores da Disney, essa segunda entrevista é muito parecida com a primeira, o que é mais avaliado é o perfil do candidato para a função desejada. Algumas semanas depois o candidato recebe o resultado da entrevista e a função que a Disney pode ofertar para ele. A partir daí é só providenciar alguns documentos e pagar taxas referentes ao visto, seguro saúde, primeira semana do condomínio ofertado pela Disney e claro, as passagens aéreas. Detalhe: o visto requerido é o J1 então é preciso receber o documento comprovante de trabalho na Disney, o DS-2019 antes de ir no consulado americano, mesmo assim já é bom comprar as passagens antes porque elas encarecem muito rápido.

Custodial

Custodial

Epcot Center

Epcot Center

Magic Kingdom

Magic Kingdom

Bom, depois dessas explicações superficiais mas úteis, quero falar da minha experiência pessoal. Eu conheci o programa pelo convite de um amigo da minha paróquia para mim e para minha irmã, então fomos os três participar. O trabalho na Disney não é fácil desde a preparação pra viagem, nos documentos que eles pedem pra assinar dá pra perceber que a quantidade de horas e o tipo de trabalho é desgastante. Eu trabalhei como Custodial, uma espécie de “zelador” que foi minha primeira opção na lista de prioridades por conta da liberdade que temos no parque durante o trabalho e, apesar das vantagens que tive, a parte física do trabalho era pesada. Foram várias horas de caminhada lidando com sacos de lixo e banheiros, muita gente considera esse tipo de trabalho nojento, mas a verdade é que a higiene era prioridade nos treinamentos e ficávamos mais limpos até que os colegas de outras funções. Em todas as outras “roles” o trabalho também era exaustivo, cada uma a seu modo, como eu disse antes é preciso estar disposto a aceitar as condições de trabalho impostas, mesmo assim encontramos formas de nos divertir e aproveitar a experiência toda com os novos amigos.

Por falar em amigos, essa pra mim é a melhor parte do programa e o que faz tudo valer a pena. Muita gente vai pro intercâmbio encantado com a possibilidade de entrar nos parques da Disney de graça, comprar produtos com descontos absurdos, passear em Orlando com tempo de sobra e dólares pra gastar… SIM, isso tudo é possível, mas quando chega o fim do programa as pessoas reparam que os parques não são tão divertidos, os produtos não são tão necessários e o tempo não é bem vivido se você não tem pessoas legais pra fazer isso tudo junto com você. É possível levar sua família pra ir nos parques de graça e passei ótimos momentos com minha família, mas eu quero chamar a atenção pra outras coisas porque passear com a família não é o foco do intercâmbio. São os novos colegas, aquelas pessoas que você acabou de conhecer e estão vivendo tudo aquilo junto com você que tornam a experiência diferente, são o brilho do programa, a grande razão de bater aquela saudade imensa na volta e o desejo de reencontrar todos eles no futuro.

Almoço com a família

Almoço com a família

Com relação à vida em Orlando, eu diria que é boa mas poderia ser melhor. O clima da Florida é bem inconstante então é bom estar preparado para uma gripe, eu recomendo um seguro de saúde que tenha atendimento em casa porque fez falta pra mim e para outras pessoas. Antes da viagem nós fazemos uma lista de prioridades, em qual condomínio queremos ficar e com quantas pessoas queremos dividir o apartamento. Essa escolha interfere no valor que vamos pagar pro condomínio por semana e também no estilo de vida que teremos por conta das diferenças de cada condomínio, mas a decisão final é da Disney. Quanto ao número de pessoas no apartamento é simples: mais pessoas, mais barato. Tem gente que prefere dividir o apartamento com menos pessoas, mas isso não quer dizer que as pessoas que você vai dividir serão melhores. Você pode pedir pra dividir quarto com um amigo, mas fora isso não depende de você, é uma questão de sorte e temos que ser flexíveis, inclusive com a possibilidade de ter que trocar de apartamento no meio do programa (o que é bem comum). Quanto aos condomínios minha visão é a seguinte:

Vistaway: mais antigo e desgastado, mais perto dos parques, ótimo pra quem gosta de festas em apartamentos, apartamentos mais baratos, perto do Dolartree e central dos ônibus da Disney.

Chatham Square: menos desgastado que o Vista mas antigo também, perto do clube esportivo dos condomínios, apartamentos baratos e central da administração dos condomínios, todos os ônibus passam lá. (O Chatham foi meu condomínio durante todo o programa e gostei)

The Commons: relativamente novo e confortável, apartamentos mais caros, máquina de lavar dentro de cada apartamento em vez de uma lavanderia, nem todos os ônibus passam lá, mais perto do Premium Outlet, mais indicado pra quem quer conforto e está disposto a pagar por isso.

Patterson Court: novíssimo, nenhum ônibus passa lá, as pessoas descem no Chatham e caminham até a portaria mas é bem perto, preços médios, quem mora lá fica um pouco mais isolado mas tem os melhores apartamentos por um preço menor que o do Commons por conta das lavanderias.

Meu quarto

Meu quarto

Cada um tem suas vantagens e desvantagens mas são ambientes bons, nada extravagantes. O que mais me incomodou foram as regras dos condomínios. No início parece bobagem, mas basta ir em uma festa interrompida pela segurança para perceber que eles são bem restritivos. As regras principais são: não estar em outro condomínio depois das 2:00 AM, não fazer muito barulho depois de meia-noite (muito barulho seria algo que dá pra ouvir do lado de fora do apartamento) e não ter mais de 16 pessoas no apartamento incluindo os moradores. Fora isso não permitem armas de brinquedo, pular a janela, pregar coisas nas paredes e uma série de outras normas que avisam depois da sua chegada. O que acontece é que durante uma festa provavelmente alguma regra vai ser quebrada e se a segurança bater à porta pode acontecer desde nada até a expulsão do programa e consequentemente ser deportado dos EUA pelo cancelamento do seu visto J1. Eu recebi uma advertência por conta de uma festa que eu fui mas ficou só nisso, caso eu recebesse mais uma advertência as coisas complicariam pra mim.

Brasil

Brasil

Mais um meeting com os colegas

Mais um meeting com os colegas

Outro aspecto da vida lá é o transporte, nós usamos muito os ônibus da Disney, raramente um táxi ou van e outros ônibus só pra ir para os parques que não são da Disney. Os ônibus da Disney são muitos, fornecidos pela empresa Transtar, mas atrasam algumas vezes então é sempre bom chegar no ponto com antecedência pra não chegar atrasado no trabalho. Fora isso tem os ônibus dos Resorts da Disney que passam nos parques que podemos usar também além dos “Party buses” que não tem nada a ver com Disney e levam quem pagar para festas no centro de Orlando. Eu achei que os ônibus me atenderam bem mas era importante sempre estar atento aos horários, porque muita gente tinha problema com atraso. O ônibus para o Walmart e o para o Floridamall em especial são problemáticos porque passam de hora em hora, perder um deles significava esperar muito tempo no ponto.

Por fim, quero falar pra vocês que se interessaram pelo programa que recomendo muito esse intercâmbio como a possibilidade de construir memórias divertidas, sofridas, inesperadas e únicas. Aproveitem os parques, todos eles, que são ótimos mesmo com as atrações toscas. Aproveitem as horas de trabalho, mesmo que às vezes pareça trabalho escravo. Aproveitem a comida, de cara e extravagante até grátis e duvidosa. Aproveitem os momentos de aperto, porque são as melhores histórias pra contar depois de tudo. Aproveitem as festas, antes, durante e depois. Aproveitem o sono, porque dormir é raridade lá. E mais importante de tudo, aproveitem as pessoas que viverem isso tudo com vocês porque farão falta. No final tudo vale a pena.

Foto com as personagens da Disney

Foto com as personagens da Disney

Montanha-russa com os amigos

Montanha-russa com os amigos

Lucas Martins, Design Gráfico, 3º Período, Escola de Design | UEMG