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Uma vira-lata na terra da Rainha

Uma vira-lata na terra da Rainha

Agora tô chegando nos finalmentes do meu intercâmbio e o que eu mais tive durante esses longos meses foi tempo pra pensar. E a conclusão que eu cheguei é sofro de uma doença crônica chamada “síndrome do vira-lata”.

Sendo brasileira com um inglês beeeeeeeem tupiniquim (não sou obrigada a perder o sotaque né gentem) nos primeiros meses sentia uma necessidade louca de ser sempre o mais amigável, delicada, simpática e amorosa o possível com qualquer ser vivo/vento que passasse perto de mim com um delicado “YallRight, darling?”. Isso sem contar a cara de boba em toda brisa fria, na primeira vez que o termômetro deu negativo, o primeiro trem/primeiro ônibus, e basicamente a vida pacata em uma cidade mini que tem a economia que circula em torno da faculdade e onde o mais distante está á 20min de caminhada.

A primeira impressão é que a grama do vizinho é bem mais verde e fresca que a nossa, né (vide meus posts anteriores mostrando os laboratórios daqui) e depois da primeira impressão percebi que na verdade, era tudo da minha cabeça… A terra da rainha é igual a nossa terra, com gente boa e gente ruim, com tempo gostoso as vezes e nem tanto outras vezes, mas com uma comida bem pior e com uma galerinha bem mais fria que a gente, né.

Uma tradução dos primeiros 4 meses

Uma tradução dos primeiros 4 meses

Sincera e honestamente, falo que rolou uma ‘decepção’ com a faculdade. Simplesmente vim com a utopia na cabeça de que voltaria para casa sabendo tudo dos dezaine, porém, nah. Pelo menos aqui na University of Lincoln, o curso é muito focado no ‘design thinking’ e no processo criativo para chegar no resultado, do que o resultado em si – não que isso seja um problema, mas digo de coração que só fui bem nos trabalhos daqui pelo conhecimento que já trouxe na minha mala de 32kg. Os alunos são bem novinhos (gente que nasceu em 97 na minha sala e eu ó) e despreparados do mesmo jeito que eu era no meu primeiro período, o grande, porém é que eles sem formam ano que vem! As pessoas adocicadas que encontrei aqui reclamaram comigo da mesma coisa que eu senti falta: da falta de aulas teóricas (sdds), da falta de atenção ao se falar de suportes e materiais (coisa que essa ED tem maravilhosamente) e o tanto que não saber todas as possibilidades fazia com que eles se sentissem perdidos demais pra poder criar. Eu, perdida no inglês estava me sentindo do mesmo jeito –quero ver chegar aqui e saber como fala terminologia de processo de produção, monamu.

Essa decepção abalou um pouquinho as bases porque faz a gente questionar: eu vim aqui para isso? Mas não sou louca de dizer que esses meses não valeram de nada. Pela primeira vez, desde os 16 anos, tive um tempo pra parar e pensar na vida (só pensar na vida mesmo, ahaha) sem ter que bater cartão, comer fora de casa correndo e dormir em pé no ônibus lotado. E essa pausa pra mim foi mais importante que qualquer sotaque que eu vim na intenção de perder. Percebi o tanto que meu país tem pra oferecer, e o tanto que somos submissos e somos educados a mostrar o Brasil como a ‘República das Bananas’ pra tudo que é gringo. Percebi o tanto que nossa cultura é rica, que somos MUITO mais bonitas(os) do que o ideal de beleza europeu tatuado no nosso cérebro mostra, e que se tem uma coisa que eu aprendi com os queridinhos britânicos que tive o prazer de conhecer é que a gente é foda.

o letterpress de graça aqui tá rendendo umas coisas bem engraçadinhas ahahha

Pvfr?

Então é isso migas, tô voltando pra essa terra calorenta com outros olhos, com braços abertos e com a melhor expressão da língua inglesa: I can’t be bothered *leia com sotaque*

P.S.: O letterpress de graça aqui tá rendendo umas coisas bem engraçadinhas, ahahha!