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Vamos falar sobre marinas?

Vamos falar sobre marinas?

A Irlanda é um país cheio de história. A ilha inteira tem um passado tumultuado que justifica a pluralidade cultural do lugar, que foi marcado ao longo dos séculos pelos Celtas, pelos Vikings e pelos Ingleses.  Em cada prédio, em cada esquina, em cada detalhe, nossos olhos percebem alguma coisa meio nostálgica; é como se cada cidade fosse uma contadora de histórias, ansiosa para ser ouvida. Dos lugares que visitei até hoje, dentro desse museu medieval a céu aberto que é a Irlanda, existe uma cidadezinha que chamou a atenção dos meus ouvidos; uma cidade que fala através do barulho do mar.

Dún Laoghaire é uma pequena cidade na costa leste da Irlanda, cerca de 11 quilômetros ao sul de Dublin. O principal ponto da cidade é o porto, e a principal confusão, o nome. Demorou algumas semanas até eu entender a pronúncia correta desse nome estranho e aprender qual era realmente o nome oficial: Dún Laoghaire recebeu esse nome a partir da tradução de “Forte de Laoghaire”, onde Forte é Dún em irlandês.

Mais parecido com um condado de Dublin que com uma cidade, ali foi a sede do Rei Laoghaire, o antigo Grande Rei da Irlanda, antes dos Vikings se estabelecerem em Dublin vindos da Escandinávia; a partir da chegada dos ingleses no final do século XI, a cidade foi rebatizada de Dunlary (Dunleary) para se adequar a língua inglesa. Em 1821 ela foi renomeada Kingstown pelo rei George IV da Inglaterra e assim permaneceu até 1921, um ano antes da independência irlandesa, quando o conselho da cidade votou para que o antigo nome irlandês fosse restaurado. Até hoje ainda há quem se refira à cidade como Dunlaoghaire, Dun Laoire ou Dunlary, mas no final das contas o nome oficial escrito é Dún Laoghaire, e a pronúncia correta é Dunleary.

A marina de Dún Laoghaire é um porto histórico originalmente concebido como um porto de refúgio, e tem vários meios de chegar lá – várias linhas de ônibus e o trem urbano, o DART. De lá tem uma transferência direta para o aeroporto (45 minutos aproximadamente) de Dublin e uma ligação de balsa de passageiros para o Reino Unido. Ao longo da costa do porto você se depara com uma vista linda, e a caminhada até a ponta, apesar de longa, vale a pena; no final não só você encontra o mar batendo nas pedras, ainda tem um caminhãozinho com o que alguns consideram ser o melhor sorvete da região, o Teddy’s. Cá entre nós, o italiano Gino’s é mil vezes melhor.

O melhor sorvete da região, o Teddy’s

O melhor sorvete da região, o Teddy’s

Às margens do mar fica o National Maritime Museum of Ireland, localizado onde era antigamente a Old Mariners Church. Essa é uma das poucas igrejas construídas especificamente para marinheiros que ainda resiste ao tempo, e no museus há exposições sobre a vida no mar e a vida selvagem ao redor da costa irlandesa, uma galeria de arte marítima, uma sala de rádio recriada e uma exposição sobre o Titanic (fora o café a loja de souvenirs, que sempre tem em museus). Por ser originalmente uma igreja, existe o serviço de casamento civil dentro do museu – há um salão separado especificamente para isso, decorado obviamente com tema náutico e que suporta uma cerimônia de até 100 pessoas!

The National Maritime Museum of Ireland

The National Maritime Museum of Ireland

Dublin é uma cidade que me deixa um pouco atordoada, com seu vai e vem de pessoas de inúmeras origens pelos arredores do centro, e Dún Laoghaire se transformou num refúgio, onde ouço mais o som do vento e do mar do que o som das pessoas, onde posso comer um delicioso fish and chips ou ler um livro em paz. Ainda quero voltar lá mais vezes, e visitar esse museu – não pra casar, claro.

Em Dún Laoghaire

Em Dún Laoghaire