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Where the four winds blow

Where the four winds blow

Às vezes gosto de imaginar a vida como um trem partindo em direção ao desconhecido… Embarcamos ainda jovens, sem ideia do que estamos fazendo e continuamos assim durante provavelmente nossas vidas inteiras.

No princípio eu sempre estive desesperado para saber qual seria minha estação final. “Afinal, qual é o sentido disso tudo?” “Onde vou parar?” e questões do tipo. Muitas vezes deixei de observar certas estações em que parava apenas por estar obcecado com o destino final. Céus, quantas estações passaram sem que eu realmente me desse conta?

Hoje percebo que isso não é tão importante: Para onde eu estou indo? Sinceramente, eu já não dou tanta atenção a esse detalhe. Quero aproveitar ao máximo cada estação em que paro e as pessoas que encontro em cada uma delas. Novos rostos que hoje fazem parte da minha vida e amanhã talvez já não façam mais, novas paisagens, novos sons… E também, por que não, uma nova faceta de mim pronta para ser descoberta. Acredito que perdemos muito tempo pensando no final que esquecemos de aproveitar cada passo de nossa jornada. O que vem depois disso tudo? Sinceramente, eu não tenho certeza. E ninguém tem! Essa talvez seja a maior questão da humanidade e acredito que nunca será respondida, apesar de termos tantas certezas pré-moldadas ao nosso dispor. Pessoas inclusive morrem por não acreditar em algumas delas!

Claro, eu seria hipócrita se dissesse que estou totalmente sem interesse em saber qual minha estação final e tento sempre antecipar um pouco da próxima. O que acredito que seja saudável em doses módicas. Afinal, toda viagem requer um certo planejamento, certo? Mas o planejamento nunca, NUNCA pode se sobrepor à própria jornada.

Antes da faculdade eu sentia que estava dando voltas e voltas no mesmo lugar esquecido pelo resto do mundo, mas com a paisagem um pouco mais degradada ao final de cada volta, mesmo apesar das pequenas e boas mudanças. Tudo o que eu queria era que aquilo tudo acabasse.

Então chegou o momento em que as estações começaram a mudar tão velozmente que eu não conseguia mais acompanhar. E foi aí que comecei a ver o quanto eu estava perdendo. Inclusive no tal lugar esquecido pelo mundo, no qual conheci pessoas que mudaram minha vida e que espero sempre ter comigo. (Mesmo que isso signifique irmos ao Subway toda vez que pudermos nos encontrar por falta de opção. Nós reclamamos, mas é divertido!)

E ao chegar em Belo Horizonte conheci outras pessoas que eu gostaria de ter sempre ao meu lado! E são tantos momentos pequenos que eu quase deixei passar! Só comecei a aproveitar cada um deles com afinco após saber que iria passar um ano fora! Caramba, ainda sinto falta daquele dia que fomos para Contagem no desespero, um dia antes da apresentação de dois trabalhos! Estávamos sendo enrolados pelos donos das empresas que tentávamos visitar haviam semanas! Cada ligação era mais um pouquinho de angústia. Eu tentava dizer que ia ficar tudo bem, mas estava morrendo de medo por dentro! Até que na última hora conseguimos arranjar essa visita. Foi um dos dias mais exaustivos que tive nos últimos tempos! Uma manhã na faculdade, uma tarde indo até Contagem e tentando descobrir onde tal empresa ficava e depois uma noite e um grande pedaço da madrugada digitando e preparando o trabalho. E ainda tivemos coragem de emendar um outro trabalho nessa mesma noite! Sinceramente? Se eu pudesse, faria tudo isso de novo.

Os almoços perto da faculdade, as pessoas fazendo graça com meu sotaque (sou do interior paulista), as aulas de Expressão Gráfica em que conversávamos enquanto planejávamos a forma mais eficiente de dar conta dos milhares de desenhos… E as balas que comprávamos no intervalo para aliviar um pouco a tensão! Eu adoro as de menta… Os trabalhos feitos em conjunto durante várias tardes… Todo mundo dizendo que eu ia morrer pela minha belíssima dieta no primeiro ano em BH que consistia basicamente de misto quente no almoço e no jantar… E vários outros momentos, claro!

Cada uma dessas faces estão para sempre guardadas em meu coração. Não mencionarei nomes, mas vocês sabem quem são! Obrigado, de verdade, por terem feito parte da minha vida! E mais: mal posso esperar para revê-los daqui algumas estações!

Então chegou o momento de partir para a próxima estação. A mais distante que já ousei tentar alcançar.

Com um pouco de medo e ansiedade, embarquei dia 19 de agosto de 2014 naquela que seria minha maior viagem até então. E ainda estou descobrindo a cada dia mais detalhes da mesma! Novas paisagens, novos climas, novos conceitos…

Mas as novas faces… Ah, essas sim encantam. Por mais que eu seja tímido no geral, ainda assim, não posso evitar aquele sorriso no rosto quando conheço uma nova pessoa que se torna importante em minha vida. Ao chegar na Finlândia, as primeiras pessoas que conheci foram alguns finlandeses e brasileiros. Algumas dessas faces não passaram muito do contato inicial, outras mudaram minha vida. Não sou tanto uma pessoa de festas nem nada do tipo, mas os outros momentos me ajudaram muito, ainda mais no ano passado, que foi um dos mais pesados para mim emocionalmente desde um período muito ruim de anos atrás.

As noites em que assistíamos filmes e shows, os dias em que íamos nos mercados… O show que viajamos juntos para assistir! Os dias com bolo, os dias sem bolo! As noites que virávamos conversando… Pensem em uma pessoa que não aguentava mais ter que se despedir no fim de dezembro! Olhando hoje, gostaria de não ter ficado tanto em casa antes de perceber que devo aproveitar ao máximo cada estação. Mas vocês mudaram minha vida. Eu poderia estar escrevendo “eles mudaram minha vida”, mas não. Mesmo que alguns nunca leiam esse texto, mesmo que alguns nem falem português para entender, eu sinto como se precisasse agradecer a cada um diretamente agora.

E continuo sendo grato a cada momento que surge!

O intercâmbio inclusive me ajudou a ter forças para retomar contato com pessoas que foram essenciais em minha vida anos atrás mas que por uma série de motivos bobos eu me distanciei. E isso está trazendo tantas memórias boas de volta! É como se nada de ruim tivesse acontecido! E eu percebi que, mesmo sem contato, tais pessoas continuavam essenciais para mim. E uma dessas pessoas vai ler esse texto antes de ir ao ar, inclusive. Sim, você sabe que é você. E precisamos dividir um Petit Gateau. SIM, precisamos. Não te vejo desde 2011 ou 2012, poxa.

Algumas vezes, dois trilhos diferentes se encontram numa mesma estação mais adiante. Por exemplo, irei reencontrar uma amiga que conheci em setembro no mês que vem, na República Tcheca. E em agosto irei reencontrar no Brasil algumas pessoas que conheci aqui! E essa é uma das melhores partes de aproveitar cada estação: os reencontros!

Como eu disse, eu particularmente não tenho certeza do que acontecerá ao fim disso tudo. Tendo a acreditar que realmente exista uma estação final e nada após isso. E é por isso que quero chegar lá sabendo que aproveitei como pude todo o caminho que percorri. E isso tudo ficou muito mais claro para mim após esse período de intercâmbio.

Agradeço a todos vocês que fizeram parte de minha vida do fundo do meu coração e aguardo ansiosamente pelo nosso reencontro. E agradeço também por terem permitido que eu fosse parte de seus caminhos!

Encerro esse texto com um trecho de uma música que acredito que tenha muito a ver com o que escrevi:

 

“Looking out the window and seeing my life go by
Many times I feel the joys, some others where I cry
What’s my destination, I still don’t know
The train of life just takes me down,
To where the four winds blow”

Gotthard – The Train